Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 09/11/2020

Criado em 1998, o Google, mecanismo de pesquisa na internet mais utilizado pela população cibernética, transformou e facilitou a maneira de  se adquirir conhecimento pela sociedade. Nesse contexto, com o avanço do Neoliberalismo e da Globalização, surgiu a ‘‘cibercondria’’, caracterizada pelo medo impulsivo de doenças, as quais são difundidas sintomas e consequências de sua presença. Dessa forma, a heterogeneidade de informações na internet e o sensacionalismo em anúncios de medicamentos tornam-se os principais causadores de tal entrave social e político.

Em primeiro lugar, é importante ressaltar, de antemão, que a grande quantidade de informações distintas sobre uma doença corroboram para o aumento da problemática. Isso ocorre porque os usuários da internet podem acessar os mais diversos sites sobre características e dados, entretanto, muitas fontes de informações estão sujeitas às divergências sobre os sintomas de uma doença. Nessa perspectiva, o sociólogo Émille Durkheim fundamenta que o indivíduo pode alterar o seu modo de agir e pensar a partir do conteúdo recebido ao longo da vida. Logo, é moldado um quadro de pânico sobre pessoas que recebem tais informações errôneas, consequentemente construindo alicerces para a ‘‘cibercondria’’. Por isso, o Estado deve unificar os dados para garantir a saúde da população.

Em segundo lugar, perante ao supracitado, vale enfatizar que o sensacionalismo dos anúncios sobre medicamentos aumentam os casos do entrave. Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, em sua teoria da Modernidade Líquida, o intelectual enfatiza que as relações econômicas estão sobrepostas às relações humanas. Seguindo tal pensamento sociológico, as empresas farmacêuticas priorizam apenas o crescimento das vendas, de tal modo que transmitem dados de grandes impactos sobre doenças e os efeitos de seus medicamentos. Em virtude desse pensamento capitalista, é induzido de forma indireta o medo de adoecer sobre a população, que por consequência gera a hipocondria digital.

Portanto, diante do que foi visto, fica evidente que a ‘‘cibercondria’’ é considerada uma doença da era digital, por isso, torna-se dever do Estado unificar as informações sobre doenças e censurar os anúncios sensacionalistas, com a finalidade de garantir o bem-estar social. A priori, o Ministério da Saúde deverá criar um site destinado para expor de maneira segura e confiável sintomas das doenças presentes na sociedade, com o propósito induzir a população para procurar consultas médicas. Ademais, o Ministério da Economia deverá sancionar um memorando para propagandas de remédios, de tal forma que reduza o cunho sensacionalista de tais anúncios, consequentemente, será diminuído o pânico sobre doenças. Em fim, a problemática da saúde gerada pela era digital será mitigada.