Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 18/11/2020

Se a hipocondria, crença sem fundamento que sintomas comuns poderiam representar uma doença mais grave, já causava grandes transtornos aos profissionais da área de saúde, a cibercondria, que é a hipocondria na era digital, dificultou ainda mais esse cenário. Além de os próprios pacientes acreditarem saber mais sobre as suas condições de saúde que os médicos formados em universidades, por meio de um processo rigoroso autorizado pelo Ministério da Educação, a automedicação está se tornando uma norma na sociedade e não uma exceção como deveria ser o caso.

Primordialmente, a necessidade de pesquisar os sintomas por meio de artigos na internet causa um excesso de informação conflitante sobre o quadro do paciente. De acordo com um estudo feito na Universidade de Baylor nos Estados Unidos, as pessoas com cibercondria elaboram o seu próprio diagnóstico e ao chegar no consultório confrontam o doutor em qualquer procedimento oferecido para abordar o caso. Por consequência, não há a geração de confiança e de empatia entre os dois, o que pode atrapalhar o tratamento da doença e, em casos mais extremos, interromper o procedimento e levar ao falecimento do paciente. Logo, o excesso de informação oferecido por sites de busca pode ser um empecilho na busca por uma vida saudável e ativa.

Ademais, na pesquisa americana dita anteriormente, com mais de 500 indivíduos e com média de idade de 30 anos, mais de 67% dos consultados possuíam a necessidade de tomar algum remédio diariamente sem que algum profissional tenha receitado. A automedicação pode trazer consequências graves, por exemplo, o uso indiscriminado de antibióticos pode facilitar o aumento da resistência bacteriana e impedir o tratamento de problemas futuros. Desse modo, a pesquisa excessiva alimenta essa necessidade de se automedicar acarretando no desenvolvimento de problemas graves de saúde devido ao uso descomedido de medicamentos.

Portanto, a cibercondria precisa ser discutida e diagnosticada para que seja possível encontrar soluções para o problema. Dessa forma, o Ministério da Saúde, em parceria com os governos estaduais, precisa alertar a população sobre as consequências de consultar os seus sintomas nos sites de procura da internet, por meio de palestras com os profissionais da áreas em eventos e escolas, e divulgação nas redes sociais, com o intuito de incentivar a procura de médicos para oferecer um diagnóstico preciso para cada tipo de doença. Similarmente, o Ministério da Saúde, em parceria com o governo federal, precisa regulamentar o uso de medicamentos pela população brasileira, por meio de uma legislação que permita a necessidade de uma receita ou um profissional da área farmacêutica analisar o motivo da compra, com o objetivo de impedir a automedicação na sociedade.