Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 16/11/2020
A partir da Quarta Revolução Industrial, diversos povos passaram por profundas transformações, não só econômicas como, principalmente, sociais. Embora a sociedade brasileira atual apresente contornos específicos, ainda é possível visualizar o legado presente na Cibercondria: a doença da era digital. Dessa forma, observa-se que o desenvolvimento dos meios de comunicação refletem um cenário desafiador, seja em virtude do imediatismo que permeia a contemporaneidade, seja sobre a negligência informacional latente na cibercultura.
Em primeiro plano, é preciso atentar para o imediatismo presente na questão. Segundo Zygmunt Bauman, a liquidez da sociedade moderna se pauta no imediatismo. De acordo a perspectiva do sociólogo, a velocidade que caracteriza a cultura atual configura-se como um grave obstáculo que atinge diversas área da ação humana. Tal imediatismo está relacionado ao crescente número de indivíduos que se automedicam através de informações vindas da internet, como evidencia dados levantados pelo ‘‘Hospital Israelita Albert Einstein’’, da qual apenas 20% do brasileiros buscam auxílio médico especializado para o tratamento adequado de determinada doença, o que acaba por ocasionar consequências sérias para o organismo e ainda agravar a situação.
Vale ressaltar, também, a negligência informacional na cultura cibernética. Nesse sentido, Habermas traz uma contribuição relevante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Desse modo, para que um problema como o da cibercondria seja resolvido, faz-se necessário debater sobre. Contudo, percebe-se uma lacuna no que se refere a essa questão, que ainda é muito negligenciada e tratada com descaso, cuja causa está no fácil acesso à informação e produtos vendidos on-line, uma das razões para o uso indiscriminado de remédios no Brasil. Assim, trazer à pauta esse tema de debatê-lo amplamente aumentaria as chances de atuação nele.
Torna-se imperativo, então, desenvolver medidas a fim de se minimizar a cibercondria no Brasil. Para esse fim, é preciso que Ministério da Saúde, por intermédio de médicos e farmacêuticos, criem campanhas nas redes sociais de orientação e conscientização da população sobre os malefícios que a automedicação pode acarretar à saúde, com o intuito de mudar o quadro atual de negligencia informacional e intoxicação medicamentosa no país. Tais campanhas devem refletir, com efeito, na melhoria da saúde da população e na construção de uma sociedade mais informada e capaz de lidar com as adversidades. Em suma, é preciso ação das instituições de saúde e da sociedade, pois, como defendeu Simone de Bevouir: “Cada um de nós é responsável por tudo e por todos os seres humanos”.