Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 24/11/2020
Na série “The Good Girls” o marido de uma das personagens principais inventa que está com câncer, para que o divórcio não aconteça. A fim de sustentar sua mentira ele pesquisa na internet os sintomas da doença e fingi senti-los. Fora da ficção, a realidade apresentada não é tão diferente, visto que as pessoas não procuram a ajuda de um profissional ou, quando buscam, realizam um diagnóstico na web, as quais acreditam e se tornam hipocondríacas. Desse modo, é preciso ponderar que há o risco para a saúde dos indivíduos, pois gera resultados como a automedicação e a intensificação de hipocondríacos.
Em primeira análise, a obsessão com a ideia de ter um problema médico grave já era uma compulsão antes do desenvolvimento da internet, ocasionado pelo autodiagnóstico feito por muitos cidadãos, por meio das plataformas de busca, como o Google. Nesse sentido, é importante perceber que uma das consequências disso é a automedicação que pode impactar negativamente na saúde das pessoas, em muitos casos de modo irreversível, por exemplo, ao definir por meio de sua pesquisa que seu problema é ansiedade e tomar medicamentos para tal doença, sem acompanhamento de um médico.
Outrossim, outro obstáculo são as fontes das informações. Na era digital as fake news são um fenômeno que prejudica ainda mais o discernimento das pessoas influenciando o imaginário coletivo e impedindo uma vida saudável. Nesse cenário, notícias falsas, como comer o peixe tucunaré causaria verminose no olho são um desserviço à população, porque promove um medo de uma doença que não existe. Contribuindo, desse modo, com outras compulsões relacionadas à saúde.
Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para combater esse impasse. Sendo assim, urge ao Ministério da saúde, em parceria com hospitais privados, pode desenvolver um site de saúde pública e a criação de um aplicativo, para ampliar o acesso às informações, com fontes seguras, aos cidadãos para pesquisar e tirar dúvidas sobre diversas doenças, porém sempre no intuito de incentivar a consulta com médico presencialmente. Somente assim, a sociedade terá acesso às pesquisas confiáveis e a população se tornará mais saudável.