Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 27/11/2020

A obra “A República”, do filósofo Platão, discorre sobre o Mito da Caverna, teoria que explicita a realidade de alguns indivíduos que eram acorrentados em cavernas, sendo obrigados a analisar apenas uma perspectiva. Contudo, na contemporaneidade, após a Revolução Técnico-Científica, aliada à globalização, as informações passaram a fluir de maneira mais dinâmica, possibilitando maior acesso aos conteúdos. Isso, apesar de conter benefícios, como a difusão de ideais, também é precursor de quadros negativos, por exemplo, um Cibercondria. Sendo assim, esse cenário é fruto, principalmente, da cultura civil imediatista e da negligência estatal.

Em primeiro plano, é válido ressaltar que a sociedade possui pensamentos imediatistas e superficiais, já que o sistema capitalista globalizado inibe o cidadão de pensar com a razão. Dessa forma, com a rotina efêmera, a saída mais acessível, e que otimize o tempo, é a automedicação, o que faz com que a internet se torne cada vez mais conivente nos autodiagnósticos. Outrossim, a máxima do sociólogo Zygmunt Bauman, a qual diz que a modernidade está afastando o homem do saudável, é verídica no século XXI, visto que as intoxicações no sistema digestivo, bem como os traumas em órgãos, são cada vez mais recorrentes.

Paralela a essa visão social, a inobservância governamental contribui para o avanço da doença, haja vista que o precário sistema de saúde, em especial o brasileiro, dificulta o acesso às consultas médicas, segundo o G1. Com isso, os nichos de baixa renda recorrem aos remédios, sem receita, atribuídos pelos sites de busca, o que saliente a ingestão de analgésicos e antibióticos inadequados. Além disso, tais grupos, por diversas vezes, não possuem informações e acessibilidade aos centros públicos. Portanto, a demanda excessiva da modernidade, atrelada à defasagem pública, seja de saúde ou informacional, corrobora o aumento do mal digital.

Diante do exposto, medidas são necessárias para minimizar o quadro negativo. Logo, cabe ao Conselho Especial De Comunicação Social a tarefa de propagar a problemática entorno da automedicação baseada na internet, por meio de propagandas - veiculadas no horário das telenovelas, período de maior audiência -, as quais perpetuem a ideia de que a realidade contemporânea não deve ultrapassar a razão do saudável, com o fito de desmistificar as consultas online. Além disso, compete ao Ministério da Saúde o dever de disponibilizar para a população um sistema de saúde de qualidade e acessível, por intermédio de verbas que melhorem a infraestrutura e a capacitação profissional, à vista de diminuir as desigualdades do acesso público e evitar malefícios a longo prazo. Assim, espera-se que o pensamento de Bauman seja revertido na nação verde-amarela.