Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 26/11/2020

Entende-se por hipocondria a paranoia ou obsessão com a ideia de ter um problema médico grave, mas não diagnosticado, levando a pessoa a tomar medidas por si só em relação ao inconclusivo problema se saúde apenas pelo medo e preocupação em ter uma doença grave. Contudo, a cibercondria refere-se ao ato de basear seus possíveis sintomas hipocondríacos em receitas e blogs virtuais, depositando confiança e geralmente piorando a situação da sua saúde. Nessa linha, é preciso que estratégias sejam tomadas a fim de alterar essa situação que possui como consequência a omissão de doenças realmente graves e a automedicação.

Em primeiro plano, é preciso atentar para a omissão de doenças por consequência do autodiagnostico virtual. Por exemplo, de acordo com um estudo feito pela Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 40% da população possui pelo menos uma doença crônica não transmissível, e muitas dessas pessoas prolongam a atenção que deveriam dar a esse problema trocando um tratamento profissional por tratamentos encontrados na mídia. Sendo assim, é de grande importância que a população abandone essa prática que pode gerar a omissão e piora do quadro de uma possível doença, visto que as doenças crônicas são responsáveis por mais de 72% das causas de mortes no Brasil.

Em segundo plano, vale salientar também os impactos da automedicação proveniente da cibercondria. Diante disso, de acordo com uma pesquisa do ICTQ (instituto de pós-graduação para profissionais do mercado farmacêutico), apenas 21% da população brasileira se medica com a orientação de um profissional qualificado, os demais praticam frequentemente a automedicação. Ademais, tal fato desencadeia em problemas muito mais sérios provenientes do consumo errôneo de medicamentos sem a prescrição médica e talvez até sem que haja necessidade. Em virtude do que foi mencionado, se mostra preocupante o estado verídico de saúde de uma população que se trata virtualmente.

Logo, algumas medidas devem ser tomadas a fim de amenizar esta problemática. Portanto, cabe ao Ministério da saúde, juntamente com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações desenvolver palestras e campanhas de conscientização para elucidar a população sobre a importância e as consequências do assunto para o ser humano, e dessa maneira incentivar a procura por profissionais qualificados ao querer um diagnóstico. Dessa forma, talvez, as consequências desse problema possam ser amenizadas.