Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 28/11/2020

Na série de ficção científica Black Mirror, é retratada a exploração de um futuro próximo aonde a tecnologia de ponta e a natureza humana entram em um perigoso conflito. De maneira semelhante, baseando-se na filosofia transumanista, a qual visa analisar e melhorar uma condição humana a partir do uso da ciência e da tecnologia, a cibercondria, famosa doença da era digital, configura-se como um desafio árduo, seja pelo silenciamento do problema em questão bem como a conduta imediatista pobre da sociedade. Logo, urge que esse cenário nefasto seja revertido, uma vez que o supramencionado trata-se de um entrave complexo que precisa ser mitigado.

Primeiramente, é preciso saliente que a falta de debate é uma causa latente do problema. Segundo Foucault, na sociedade pós-moderna, muitos temas são silenciados para que estruturas de poder sejam mantidas. Nesse ínterim, verifica-se uma lacuna em torno dos debates acerca dos problemas que, pela ignorância populacional, uma era digital pode acarretar na vida do ser humano. Outrossim, vale destacar que o desmazelo governamental contribui com o aumento da falta de conhecimento da sociedade sobre a questão, tornando, dessa forma, sua resolução mais dificultada, uma vez que não há indícios de punições a aqueles que ousam postar algo em sites e blogs sem qualquer especialização.

Em segundo plano, outra causa para uma configuração do problema se refere-se à disponibilidade da população em se autodiagnosticar. Consoante ao filósofo J. Krishnamurti, não é sinal de saúde estar bem adaptado a uma sociedade doente. Além disso, infere-se que, conforme o jornal G1, o tempo médio para receber atendimento médico no SUS é de 1 ano e 4 meses. Sob essa lógica, visto que 7 em cada 10 pessoas dependentes do SUS, é notório que pela praticidade e pelo diagnóstico instantâneo que a internet oferece, estes optam por se autodiagnosticar bem como se automedicar mediante os resultados de suas pesquisas mesmo que este não se trate de fato do problema real do cidadão.