Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 26/11/2020

Sabe-se que a internet foi criada durante a Guerra Fria, por cientistas dos Estados Unidos. A Arpanet, como era chamada até então, tinha o objetivo de facilitar o compartilhamento de informações para pessoas à distância de forma segura e confiável. Contudo, o avanço da tecnologia e a liberdade digital possibilitaram a criação da cibercondria, isto é, a prática de realizar o próprio diagnóstico de saúde com auxílio da internet. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema em virtude de uma geração ansiosa que faz uso da automedicação, agravando a própria saúde. Portanto, medidas para combater o infortúnio são essenciais, como o investimento no SUS e o diálogo nas escolas.

Em primeiro plano, deve-se analisar o porquê desse tema ser tão discutido. A facilidade de ter acesso à internet e, por consequência, a possibilidade de pesquisar relatos e sintomas faz com que a geração de pessoas ansiosas confie no resultado da pesquisa rápida, sem haver necessidade de procurar um profissional especializado. Ademais, a precariedade do Sistema Único de Saúde (SUS) agrava o problema, uma vez que os brasileiros não possuem atendimento qualificado e, geralmente, têm que esperar horas ou meses para serem atendidos ou apenas receberem resultados. Dessa forma, é possível citar Johann Goethe quando disse que “a maior necessidade de um estado é a de governantes corajosos”, ou seja, é necessário uma pessoa astuta para administrar o país e investir no SUS.

Em vista disso, é possível perceber as consequências do problema. De acordo com a pesquisa do ICTQ (instituto de pós-graduação para profissionais do mercado farmacêutico), apenas 9% de pessoas entre 25 a 34 anos seguem prescrições médicas e não possuem a prática de se automedicar. Esse dado permite inferir que há uma grande quantidade de pessoas se medicando apenas por conta das respostas da internet, ação muito perigosa, pois o diagnóstico errado pode camuflar uma doença grave, desesperar o indivíduo ou agravar uma doença por causa de remédio incorretos. Assim, vale citar a frase de J. Krishnamurti: “não é sinal de saúde estar adaptado a uma sociedade doente”, isto é, saudáveis são aqueles que vão contra os malefícios da tecnologia e que procuram auxílio de médicos.

Portanto, medidas são necessárias para minimizar o impasse. Logo, cabe ao Ministério da Educação a tarefa de promover rodas de conversa nas escolas - com todas as turmas - por meio da utilização de aulas de sociologia e filosofia, a fim de proporcionar um ambiente de diálogo para trabalhar a ansiedade das crianças e apresentar os perigos da automedicação. Outrossim, compete ao governo federal o dever de investir no SUS, por intermédio de campanhas públicas, a vista de reduzir o tempo de espera para pacientes serem atendidos e garantir melhor atendimento nos hospitais. Destarte, a criação da internet terá seu objetivo original, ou seja, garantir a segurança de informações.