Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 25/11/2020
A obra “Doenças do século XXI”, lançada pela Netflix, abordou diversas doenças presentes na sociedade atual, causadas sobretudo pela internet. Dessa forma, um dos episódios da série tinha como tema a vida de uma jovem viciada em automedicação. Analogamente a isso, na vida real, a realidade não se mostra tão distante da ficção, uma vez que observa-se um crescente número de cibercondrias, isto é, automedicações devido a um diagnóstico precipitado via internet. Por conseguinte, seja por fatores como facilidade de pesquisa e compra de remédios, assim como a falta de informação sobre os riscos dessa ação, o problema ainda se mostra distante de uma solução.
A princípio, é válido ressaltar que a falta de médicos e hospitais, somadas à demora no atendimento, principalmente, da saúde pública, contribui para que muitas pessoas se automediquem. Essa situação é causada, visto que, em busca de uma solução rápida, prática e de fácil acesso, a população de forma equivocada, procura na internet, sintomas e remédios que, majoritariamente, não são adequados para sua real doença. De acordo com dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), aproximadamente 45% da população prefere se automedicar à enfrentar filas ou ir ao médico, devido à comodidade oferecida pela internet.
Paralelamente a isso, outro fator que contribui para a cibercondria é a crescente facilidade em se comprar remédios. Segundo o site de notícias G1, o Brasil é um dos países que mais consomem remédios sem prescrição médica em farmácias, sendo ainda recorrentes medicamentos proibidos em outros países, como paracetamol e dipirona. Consequentemente, essa prática causa diversos problemas, desde alergias até depressão. Outrossim, é fundamental destacar que a desinformação dos malefícios da automedicação, em conjunto com a grande publicidade de remédios nos meios de comunicação e redes sociais, favorece a manutenção desse quadro.
É necessário, portanto, que medidas sejam tomadas para solucionar essa problemática. Cabe ao Governo Federal, através do Ministério da Saúde, criar, a partir do uso de verbas governamentais, campanhas informativas nas redes sociais que detalhem os malefícios da automedicação pela internet. Com o objetivo de divulgar informações sobre essa temática para a população, o programa teria análises, palestras e debates. Além disso, é substancial que o Estado forneça maiores verbas para hospitais e áreas públicas de saúde, assim como o Poder Legislativo deve criar legislações mais restritivas para o comércio de remédios em farmácias. Somente assim, o problema poderá ser solucionado.