Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 26/11/2020

Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, tem como característica mais marcante um nacionalismo ufanista, acreditando em um Brasil utópico. Entretanto, o descaso com a cibercondria, uma doença na era digital torna o país ainda mais distante do imaginado pelo personagem. Nessa perspectiva, seja pela ineficiência do governo, seja pela conduta imediatista da sociedade, o problema permanece silenciosamente afetando grande parte da população e exige uma reflexão urgente.

Em primeiro lugar, é necessário ressaltar que uma das causas do ato de se automedicar é a ação imediatista das pessoas. Isso acontece, principalmente, em virtude da ansiedade em saber o que é o problema, com o fácil e rápido acesso à internet, acabam por apresentarem por uma consulta instantânea pela web. Exemplos disso podem ser encontrados em dados pelo R7 em que cerca de 26% dos brasileiros consultam primeiro a internet ao ter problemas de saúde. Sendo assim, esses fatores favorecem na formação de um problema social de dimensões cada vez maiores.

Ademais, é preciso atentar que outra causa que corrobora para o problema é a ineficiência do governo. Segundo Gilberto Dimenstein, jornalista e criador do portal Catraca Livre, o grande mal do cidadão é a banalização do olhar, é não enxergar as mazelas sociais como a cibercondria, que torna-se uma doença na era digital. Nesse sentido, é necessário que medidas imediatas sejam tomadas para que a sociedade de modo geral possa usufruir de seus direitos.

Torna-se evidente, portanto, a urgência de medidas para alterar o cenário vigente. Dessa maneira, é dever da mídia - grande difusora de informação e principal veículo formador de opinião - assumir seu papel de agente social para questões da cidadania, por meio de novelas, documentários e reportagens, os quais retratem, de maneira fidedigna, a seriedade da automedicação por meio da internet, com o intuito de reduzir os estereótipos e o silêncio em relação ao assunto. Só assim, o país tornar-se-á mais plural e justo.