Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 30/11/2020

Surgida na década de 1960, no auge da Guerra Fria, uma internet revolucionou os meios de comunicação ao possibilitar o acesso massivo e global aos mais variados assuntos, dentre os quais destacam-se os referentes à saúde humana. Porém, o acesso facilitado às informações técnicas, sem a orientação de um profissional de saúde, pode agravar o estado que têm predisposição para quadros de ansiedade, em especial os relacionados à saúde, desencadeando um estado conhecido como cibercondria, ou ‘síndrome da pesquisa na internet’, explica Emily Doherty, especialista em comunicação.

Segundo Doherty, a ansiedade sobre a própria saúde põe em risco a segurança dos pacientes, uma vez que os afetados por essa síndrome da era digital tendem a hipervalorizar sintomas simples, subestimar os graves, interpretar erroneamente exames e, principalmente, desobedecer orientações médicas em virtude da adoção de tratamentos alternativos. Ademais, uma busca incessante por diagnósticos na internet priva os pacientes da relação médico - paciente, fundamental para a realização do diagnóstico e a instituição de um plano terapêutico adequado e seguro.

Apesar do exposto, o maior risco da utilização da internet para pesquisas em saúde envolve a parcela mais pobre da população que, normalmente, não tem acesso aos serviços de saúde. Comumente, os desvalidos buscam, na internet, soluções para os seus sofrimentos, transformando, assim, as ferramentas de busca online em seus médicos, fato esse que deu origem ao jargão popular ‘Doutor Google’, de acordo com Roberto Vasconcellos, pesquisador em comunicação em saúde. Para o especialista, o uso do Google para esse fim tem origem na impossibilidade de consultar um profissional médico, além da insuficiência dos atendimentos médicos prestados, que muitas vezes são pobres em detalhes e informações, confundindo e amedrontando os pacientes que, por sua vez, vão buscar na internet o alívio para suas angústias.

Logo, para mitigar os danos causados ​​pela cibercondria, caberá ao comitê gestor do Google, em consórcio com hospitais-escola, o desenvolvimento de campanhas de conscientização direcionadas aos usuários que buscam informações sobre saúde. Para tanto, deve ocorrer a publicação periódica de pastas digitais de alerta sobre os riscos do autodiagnóstico e da automedicação. Complementarmente, deve ser desenvolvido pelo Google alguns algoritmos de redirecionamento, cujo objetivo será conduzir os navegantes aos sites dos hospitais de referência, com conteúdo seguro e revisado por diversos especialistas, um fim de promover benefícios reais à saúde dos usuários, impedindo, assim, a manifestação e os prejuízos decorrentes da cibercondria.