Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 26/11/2020
No final do século XX, o espaço geográfico passou de técnico-científico para técnico-científico-informacional, de acordo com o geógrafo Milton Santos. Isso significa que, com o advento da internet, a informação passou a ter papel preponderante na vida das pessoas. Contudo, o mau uso dessa ferramenta pode ser prejudicial, como no caso em que pessoas buscam resolver questões relacionadas à saúde pelo mundo virtual. Esse hábito pode se transformar em uma doença denominada “Cibercondria” e agravar a questão das superbactérias na sociedade.
Nos últimos anos, observa-se uma tendência crescente de pessoas que usam plataformas de pesquisa na internet para sanar dúvidas relacionadas à saúde. O acesso às informações disponibilizadas, sem uma orientação profissional, faz com que a pessoa tire conclusões precipitadas e errôneas. Isso causa pânico no indivíduo, e este passa a buscar meios de “se curar”, o que caracteriza a “Cibercondria”. Um desses meios é a automedicação, que, muitas vezes, pode gerar doenças ou agravá-las, pois a possibilidade de se cometer erros é muito alta. De acordo com o Instituto de Ciência Tecnologia e Qualidade (ICTQ), 70% dos brasileiros realizam a automedicação diariamente.
Esse alto índice de pessoas que se automedicam representa uma grande ameaça a um dos maiores problemas de saúde pública atuais: as superbactérias. Segundo a professora e médica da Universidade de São Paulo (USP), Maria Rita, o uso irresponsável de remédios favorece o aparecimento de bactérias capazes de resistir aos medicamentos. Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) indicam que, em 2012, nas Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs), houve mais de 10.000 casos de pessoas que apresentavam bactérias resistentes no organismo, e esse número tende a crescer, tendo em vista que o número de pessoas conectadas à rede é cada vez maior.