Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 27/11/2020

No filme O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, a personagem Amélie teve a infância reprimida pelas preocupações equivocadas de seu pai sobre um possível defeito cardíaco, o que acabou afetando a vida e o contato dela com outras pessoas. Fora da ficção, a realidade não é tão diferente visto que muitos brasileiros, principalmente devido ao acesso a internet, acabam sofrendo com a preocupação excessiva em relação as doenças. Assim, é importante analisar que tanto a comodidade de encontrar um diagnóstico pela internet, quanto a automedicação praticada pela população, estão associados a esse problema.

Em primeiro lugar, é necessário ressaltar que uma das causas da Cibercondria é a comodidade de encontrar um diagnóstico na internet. Isso acontece, principalmente, em virtude da facilidade e imediatismo da busca na internet, já que muitas vezes pode ocorrer demora nas filas dos hospitais, o que acaba fazendo com que as pessoas prefiram buscar informações online ao invés de procurar um médico. Exemplos disso podem ser encontrados nas informações divulgadas pelo Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico, como por exemplo, os dados mostrando que cerca de 40% da população brasileira fazem autodiagnostico, o que traz prejuízos e afeta a ansiedade, já que nem sempre as informações são passadas de forma correta. Sendo assim, esses fatores favorecem na formação de um problema social de dimensões cada vez maiores.

Outrossim, a automedicação está intimamente ligada aos problemas gerados pela Cibercondria. Isso acontece, devido as pessoas buscaram informações na internet sobre o que estão sentindo e se automedicaram, sendo que muitas vezes, por constatar similaridades entre os seus sintomas e os que encontram no mundo virtual, cometem equívocos ao concluírem, por si só, determinados diagnósticos. Um exemplo é que de acordo com uma pesquisa feita pelo Datafolha e Conselho Federal de Farmácia mais de 70% dos brasileiros de automedicam e podem sofrer prejuízos com isso. Logo, é substancial a mudança desse quadro.

Torna-se evidente, portanto, a urgência de medidas para alterar o cenário vigente. Dessa maneira, é dever do Governo, junto ao Ministério da Saúde, orientar e auxiliar a população, através de propagandas, promoções de palestras e debates com especialistas que visem informar sobre os perigos da Cibercondria e do autodiagnóstico feito pela internet, a fim de que as pessoas possam ficar atentas sobre um problema da era digital que é cada vez mais comum. Assim, poder-se-á afirmar que o Brasil oferece mecanismos para enfrentar os desafios ocasionados pela Cibercondria.