Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 27/11/2020
Hipocondria é a focalização compulsiva do pensamento e das preocupações sobre o próprio estado de saúde. No universo tecnológico, em meio a tantas informações, a cibercondria surge como a doença da era digital. Aliada às fake news e diagnósticos equivocados, esse transtorno pode trazer inúmeros prejuízos à população. Por isso, seja pela dificuldade do acesso à saúde no Brasil, seja pelo foco capitalista da indústria farmacêutica, o problema deve ser analisado e resolvido.
Em primeiro lugar, é importante ressaltar a precariedade do sistema de saúde brasileiro. Segundo o SPC, cerca de 70% dos indivíduos no cenário nacional não possuem plano de saúde. Essa parcela é obrigada a buscar serviços públicos que sempre estão sobrecarregados e não conseguem atender a todos. Dessa forma, tais pessoas buscam se autodiagnosticar pela internet, de um jeito prático e cômodo, mas que nunca vai proporcionar a exatidão de uma consulta profissional, podendo gerar contestações precipitadas e medicações com danos futuros.
Além disso, vale destacar a prioridade no acúmulo do capital por parte das farmácias. De acordo com o Conselho Federal de Farmácia, quase 80% dos brasileiros se automedicam. Grande responsabilidade desse nível elevado se deve ao âmbito farmacêutico, que não se importa de vender remédios sem receita médica ou outra forma de orientação, desde que receba integralmente e lucre cada vez mais com os medicamentos. Com isso, torna-se mais fácil a automedicação pós autodiagnóstico, acarretando malefícios posteriores mais graves.
Infere-se, portanto, que medidas devem ser tomadas para resolver o impasse. Para tanto, o governo deve promover melhorias na saúde pública, por meio de investimentos na construção de novas unidades e na capacitação de novos profissionais, a fim de garantir que todos possam ter acesso a um acompanhamento médico de qualidade. Somente assim será possível viver em uma sociedade justa e saudável.