Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 29/11/2020
Um dos episódios da série “Greys anatomy” ilustra um caso de hipocondria, que consiste na crença obsessiva de que o indivíduo padece de uma doença grave. Entretanto, fora da ficção, essa narrativa tem se tornado cada vez mais epidêmica. Assim, é indispensável compreender como a internet, associada a desinformação e ao imediatismo, tem fomentado o crescente número de casos de cibercondria.
Em primeiro lugar, destaca-se a alienação da população. Nesse sentido, a associação entre saúde e tecnologia tem sido mal interpretada, pois casos excepcionais, como o serviço de atendimento online desenvolvido durante a pandemia de corona vírus, tornam a população crente de que as facilidades proporcionadas pela internet podem substituir uma consulta médica. A partir disso, a falta de conscientização estimula os casos de cibercondria, o que pode resultar em consequências graves que vão desde prejuízos a saúde do paciente até a morte.
Ademais, cabe ressaltar a falta de tempo para o cuidado adequado com a saúde. Desde a primeira revolução industrial, os cidadãos tem passado a estar cada vez mais disponíveis ao trabalho, e segundo Zygmunt Bauman o sagrado limite entre o tempo de trabalho e o tempo pessoal desapareceu. Assim, hoje, na quarta revolução industrial, a integração tecnológica -aliada ao imediatismo- tem encorajado muitos cidadãos a confiarem nos diagnósticos obtidos através de pesquisas online. Nesse prisma, a cibercondria tem encontrado condições propicias ao seu desenvolvimento.
Portanto, urge que os Ministérios da Educação e Comunicação atuem conscientizando a população sobre os riscos dessa doença. Dessarte, é mister que especialistas disponham de rádios, televisões, momentos em empresas e feiras em escolas, nos quais possam informar e integrar os cidadãos no combate a essa cibercondria, além de torná-los preparados para utilizar a tecnologia de forma inteligente e aliada à saúde. Dessa forma, com uma sociedade engajada, a internet se tornará uma ferramenta benéfica e casos como o de “Greys Anatomy” serão meramente fictícios.