Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 29/11/2020
No cenário da Terceira Revolução Industrial, os avanços tecnológicos tornaram a internet mais acessível à população. Sendo assim, apesar desse fácil acesso ao meio digital, que dispõe de informações diversas e entretenimento, a potencialização da hipocondria aliada com as tecnologias se demonstra um empasse à saúde dos brasileiros. À vista disso, não só pela reformulação do acesso aos conhecimentos médicos, mas também pela fácil aceitação dos conteúdos lidos online, os casos de “cibercondria” tem ganhado maior relevância. Dessa forma, não há dúvidas de que conscientizar a população sobre esse tema é de importância nacional.
Em primeira análise, o meio digital revolucionou a forma com que o ser humano lida com sua saúde, seja por buscas online sobre alimentação saudável ou atendimento virtual. Sob essa ótica, o filósofo Zygmunt Bauman discorre sobre a “modernidade líquida”, em que as relações não são sólidas, isto é, não são feitas para durar. Acerca disso, a facilidade proposta pelas tecnologias em pesquisar sintomas ou tratamentos não se demonstrar uma alternativa segura, visto que os conteúdos disponibilizados online são fluídos, ou seja, são postados, editados e excluídos com frequência e por qualquer cidadão. Assim, nota-se a importância de fiscalizar as publicações do meio digital, pois os novos padrões potencializam a fluidez na forma que o indivíduo lida com si.
Em segunda análise, a valorização dos conteúdos disponibilizados na internet em detrimento aos profissionais da saúde atuam no aumento dos casos de cibercondria. Conforme a ideia, o filósofo Kant expõe o conceito de esclarecimento, em que o indivíduo deveria sair da menoridade por meio da educação, sendo capaz de pensar por si próprio. Entretanto, ao contrário da proposta da maioridade, os brasileiros se demonstram dependentes dos sites de buscas, sendo notório o aumento nos casos de automedicação, em que acredita-se sem contestar nas informações obtidas online. Logo, é necessário incentivar a saída dos cidadãos da menoridade, a fim de incentivar o pensamento crítico e a reflexão sobre os conhecimentos obtidos no meio digital.
Portanto, algumas atitudes se fazem necessárias a fim de amenizar os casos de cibercondria, a doença da era digital. Desse modo, cabe ao Ministério da Saúde, por meio das plataformas digitais, incentivar a população a obter informações em sites confiáveis ou do governo, de modo a promover maior acesso à informações confiáveis. Ademais, cabe ao Ministério da Educação, por meio de debates e palestras, propor uma tratativa de temas transversais sobre o uso consciente da internet, a fim de incentivar a reflexão e a maioridade intelectual dos jovens frente as diversas informações propiciadas online. Feito isso, possivelmente, os casos de cibercondria serão amenizados na era digital.