Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 29/11/2020

No curta “Batimentos”, da Giacometti Comunicações, é demonstrado o perigo da automedicação, e como ela pode levar até mesmo a morte. O ato da automedicação é conhecido a muito tempo e muitas vezes praticado por pessoas hipocondríacas, isto é, que tiram seus próprios diagnósticos e se automedicam. Entretanto, com a chegada da world wide web (rede mundial de internet), surge uma nova vertente para essa doença, a cibercondria, que se agrava tanto por causa das falhas do sistema de saúde, quanto da propaganda da Industria farmacêutica.

Em primeiro lugar, é crucial pontuar que a falta de políticas públicas deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que impeçam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável pela garantia do bem estar da população, entretanto, isso não ocorre efetivamente. Devido às dificuldades e a demora de se conseguir atendimento em postos de saúde, e a facilidade de se utilizar o Google, grande parte da população acaba por dar preferência ao que leu na internet, ao invés de buscar um profissional qualificado. Desse modo, faz-se imprescindível a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.

Ademais, é imperativo ressaltar a propaganda de remédios milagrosos apresentadas pela indústria farmacêutica como promotor do problema. Além disso, com a facilidade de se expor a anúncios na internet, esse problema se tornou ainda pior, visto que as empresas mostram ao consumidor aquilo que ele quer, como é mostrado no docudrama “O Dilema das Redes”. Fazendo assim com que pessoas facilmente influenciadas acabem comprando remédios milagrosos sem prescrição médica. Partindo desse pressuposto, a problemática imposta pela realidade social que por conta da estrutura do modo de produção, vivem a cibercondria, sendo ela em decorrência do descaso da sociedade e do Estado perante essa população, e podendo consequentemente levar a automedicação. Esses indivíduos muitas vezes não tiveram uma educação que os ensinou sobre os perigos da automedicação, e em seu dia a dia vivem com pessoas com o modo de pensar parecido, posto que grande parte da população tem esse hábito, trazendo para essas pessoas cada vez mais confiança na automedicação.

Assim, medidas viáveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade. Dessa forma, com o intuito de mitigar a cibercondria e combater a automedicação, necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da Saúde será será revertido em fiscalização e reformas do sistema de saúde, de forma a facilitar o atendimento popular, objetivando a busca da população por profissionais da área, e consequentemente a diminuição da cibercondria e da automedicação, desviando do cenário proposto em “Batimentos”.