Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 30/11/2020
O filósofo francês Sartre defende que cabe ao ser humano escolher seu modo de agir, pois este seria livre e responsável. No entanto, percebe-se a irresponsabilidade tanto da sociedade quanto do governo no que concerne à questão da hipocondria, a doença da era digital. Dessa forma, observa-se que a doença reflete um cenário desafiador em virtude de um falso diagnóstico e, consequentemente, da automedicação.
Sem dúvida, a atual era digital em que vive a sociedade provocou diversas mudanças que facilitam as relações sociais no cotidiano. Como exemplo, existe a Internet, ferramenta que revolucionou o acesso à qualquer tipo de informação, sobretudo à saúde, apresentando a resposta para praticamente qualquer pergunta a 1 clique de distância. Em virtude dessa tecnologia é possível, por exemplo, pesquisar sintomas de uma doença ou verificar resultados de um exame a qualquer momento. Entretanto, a comodidade de uma simples pesquisa pode ser extremamente prejudicial ao indivíduo. A partir dos resultados obtidos, é possível que o cidadão tire uma conclusão precipitada ao realizar um autodiagnóstico, devido ao fato de que várias enfermidades apresentam os mesmos sintomas.
Consequentemente, um diagnóstico errôneo pode causar confusão e preocupação desnecessários no paciente, podendo apresentar hipocondria: o medo excessivo e não realista de ter alguma condição grave de saúde sem o exame de um médico. Dessa forma, é possível que o mesmo siga um tratamento alternativo que não é efetivo contra a sua doença, que seria precisamente analisada apenas por um profissional habilitado, provocando danos extremamente nocivos ao seu corpo. Segundo o cardiologista Marcos Vinícius Gaz, do Hospital Israelita Albert Einstein, o fácil acesso à informação é uma das maiores razões para o a automedicação. Além disso, pesquisa do ICTQ (instituto de pós-graduação para profissionais do mercado farmacêutico) aponta que 79% das pessoas com mais de 16 anos e 91% das pessoas entre 25 a 34 anos praticam o uso indiscriminado de medicamentos. Ademais, o uso de medicamentos é uma das principais causas de intoxicação no país, de acordo com o Conselho Federal de Farmácia.
A fim de solucionar esse impasse, é necessária a mobilização de determinados agentes implicados na saúde pública. Portanto, o Ministério da Educação, juntamente ao Governo Federal, deve divulgar textos informativos a respeito dos perigos do autodiagnóstico e da automedicação, por intermédio de propagandas promovidas em plataformas de saúde e bem estar, além de indicar o acompanhamento médico sob qualquer circunstância. Como resultado dessa nova perspectiva, ocorrerá maior conscientização e alerta da população sobre essa problemática.