Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 30/11/2020

Na obra “Utopia” escrita por Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, ou seja, em que o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e adversidades. Análogo à isso, a realidade do Brasil, distingue-se da descrita pelo filósofo, porque a Cibercondria - a doença da era digital - está afetando muitas pessoas, tampouco sendo bastante influenciada. Nesse contexto, essa situação se agrava devido à influência midiática e a negligência estatal.

A partir dessa ideia, vale pontuar como uma das principais causas dessa enfermidade digital, influência da mídia. Nessa lógica, pode-se citar que a internet estimula as pessoas com a constante de propagação de mensagens sobre saúde “online” que induz a pesquisarem sobre determinado sintoma que provocará o medo e crença em alguma patologia tida como resposta da pesquisa. Nessa lógica, a Teoria da Coercitividade, do sociólogo Durkheim, afirma que, se o pensamento hegemônico - nesse caso a mídia - defende determinada ideia, a sociedade tende a segui-la.

Outrossim, faz-se mister destacar outro fator provocador dessa mazela social, a saber, o ínfimo investimento governamental em saúde pública. Relativa isso, o mínimo capital aplicado no Sistema Único de Saúde (SUS) desencadeia doenças digitais, como a Cibercondria, porque os indivíduos necessitam serem atendidos o quanto antes, mas esperam o SUS em média um ano e quatro meses, segundo o G1.

Portanto, o Governo Federal deve estabelecer limites a exibição de páginas sobre saúde “virtual”, por meio do Poder Legislativo, que se responsabilizará por leis que controlem o conteúdo exposto. Assim a Cibercondria deixará de abalar a sociedade. Ademais, esse mesmo órgão precisa investir mais no SUS, por intermédio de uma maior parcela do produto interno bruto, que fornece capital para esse fim. Desse modo, cumprir-se a literatura morena, os preceitos constitucionais e a mídia que provoca a coersão social, referida por Durkheim não mais existirá.