Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 01/12/2020
A partir do advento da industrialização e do constante desenvolvimento tecnológico, criou-se uma terceirização das informações e dos conteúdos, de forma a contribuir para um sentimento de individualização. Diante disso, o acesso irresponsável aos conteúdos cibernéticos pode mostrar-se, por vezes, danoso, a saber, o surgimento de doenças psicopatológicas, como a cibercondria. Assim, os problemas gerados - a automedicação e a credibilidade dos dados científicos da internet - precisam de um olhar crítico, a fim de serem solucionados.
Em primeiro plano, é preciso analisar as consequências do ato de medicar-se a si mesmo. Desse modo, de acordo com o escritor brasileiro Guimarães Rosa, a água de qualidade boa é comparada à saúde e à liberdade, ao passo que ambas somente são valorizadas quando esta e essa se acabam. Com isso, vê-se uma negligência e uma desvalorização pública ao lidar com os riscos previstos ao ingerir produtos químicos sem encaminhamento e sem prescrição médicas. Logo, essa assertiva obtém respaldo estatístico ao constatar-se que a automedicação é praticada por cerca de 80% dos brasileiros com mais de 16 anos, fato verificado pelo Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ). Por esse caminho, é plausível mitigar o imbróglio abordado.
Outrossim, a confiabilidade exclusiva das fontes de disseminação de sintomas e de doenças no meio digital necessita ser observada. Por isso, Ana Miguel, coordenadora das Redes Sociais do Ministério da Saúde, alerta que as informações de cunho científico e farmacêutico, na internet, tendem a ser brandas, ao ponto de não se preocupar com as exclusividades de cada paciente, segundo os sintomas apresentados. Dessa forma, pessoas “cibercondríacas” - as quais têm por base confiável a rede mundial de computadores - são influenciadas por doutrinas não específicas e não certificadas pelos órgãos especializados sanitários, de modo a estar à mira de falsas notícias e de pesquisas infundadas. Dessarte, é importante diluir o quadro anômalo.
Face ao exposto, a resolução das problemáticas supracitadas é imprescindível. Para isso, com o objetivo da valorização do profissional médico, é mister que o Ministério da Saúde - promotor primordial dos níveis sanitários brasileiros - regularize palestras que pautem sobre a importância e a ação dos medicamentos no corpo humano. Não obstante, recomenda-se a feitoria dessa ação com reuniões sobre os impasses causados pelo diagnóstico de pessoas inadequadas. Ademais, o mesmo Ministério deve intensificar sua participação profissional nos meios digitais, com a exposição de artigos e de programas informacionais - como portais e plataformas -, para que o bem-estar político, físico e social seja atingido e para que a hipocondria atingida pela internet seja extinta.