Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 01/12/2020

A hipocondria, também tratada como melancolia, é, segundo o Oxford Languages, a “focalização compulsiva do pensamento e das preocupações sobre o próprio estado de saúde, frequentemente acompanhada de sintomas que não podem ser atribuídos a nenhuma doença orgânica”. Inegavelmente o advento da Terceira Revolução Industrial trouxe inúmeros avanços ao âmbito da telecomunicação, tornando o acesso e o compartilhamento de informações cada vez mais instantâneo. Dessa forma, em meio a uma sociedade que se torna cada vez mais ansiosa, a automedicação e o abuso de medicamentos em detrimento de pesquisas feitas na internet se torna cada vez mais frequente, o que configura uma doença denominada de “cibercondria”.

Primeiramente é importante destacar que segundo a OMS “o Brasil é o país com a maior taxa de pessoas com ansiedade no mundo inteiro”, sendo que 9,3% da população do país possuem esse transtorno. Destarte, ao associar os elevados índices de ansiedade brasileiros com a facilidade de acesso as variadas fontes de informação na interweb, o que se obtêm são graves problemas na gestão da saúde pública, pois muitas vezes, mediante ao menor sinal de algum sintoma referente a qualquer patologia, esse cenário de ansiedade excessiva configura uma procura súbita por diagnósticos online. Desse modo, o déficit na área da saúde vem através da desinformação causada pelas constantes pesquisas de diagnósticos feitas no Google, com aponta o estudo feito pela Universidade de Waterloo.

Em segundo lugar, é notório que as políticas públicas também possuem um papel fundamental na conscientização da população a respeito dos males causados pela ingestão de medicamentos por conta própria em detrimento dessa doença consequente da era digital. Com relação a esse aspecto Hélder Martins, jornalista, ex-diplomata e ex-ministro da saúde brasileiro, afirma que “a saúde é um problema político, especialmente no que tange à medicina preventiva. As estruturas de saúde são reflexos da sociedade; assim, as estruturas políticas são os nossos melhores instrumentos para o desenvolvimento de um programa de atendimento médico”. Portanto, um dos fatores que contribuem para as constantes pesquisas diagnósticas na rede, e consequentemente, o aumento da cibercondria no país, é a má gestão dos órgãos de saúde pública.

Mediante os aspectos mencionados, é imprescindível que o Ministério da Saúde, juntamente das empresas de tecnologia relacionadas à internet, envide esforços na criação de leis que determinem a exclusão de sites com diagnósticos duvidosos presente na web, oferecendo uma multa àqueles que não acatarem à medida, desfavorecendo assim as pesquisas irresponsáveis online, fazendo com que não haja outra saída aos cibercondríacos, a não ser a busca por um consultório médico qualidicado.