Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 01/12/2020

Machado de Assis, em sua fase realista, despiu a sociedade brasileira e teceu críticas aos comportamentos egoístas e superficiais que caracterizam essa nação. Não longe da ficção, percebem-se aspectos semelhantes no que tange à questão da cibercondria. Nesse contexto, tornam-se evidentes como causas dessa problemática o maior acesso à consultas online de caráter duvidoso, bem como a falta de acesso à saúde no Brasil.

Primeiramente é importante ressaltar a cibercondria, que é uma condição na qual o indivíduo pesquisa on-line os sintomas de uma condição que ele acha possuir e acaba gerando um diagnóstico que na maioria das vezes é errôneo, fazendo com que ocorra a dúvida quando questionado por um profissional de saúde. Ademais, uma das motivações para que isso ocorra é o déficit no sistema de saúde brasileiro, que deveria prover saúde básica para todos, como descrito no Artigo 6º da Constituição Federal do Brasil.

Outrossim, um problema ainda mais grave é a automedicação, que  de acordo com censo de 2019 do Conselho Federal de Farmácia, é feita por 77% dos brasileiros. Além de precipitada é extremamente perigosa, pelo fato dos medicamentos ainda serem drogas, que são fornecidos pela  indústria farmacêutica, a mesma que  faz propagandas sensacionalistas de remédios milagrosos com o intuito de aumentar os lucros, mas que também acaba impulsionando o uso de remédios sem prescrição médica.

A fim de solucionar esse impasse, é necessária a mobilização de determinados agentes implicados na cibercondria. Portanto, o Ministério da saúde deve criar campanhas de conscientização e tratamento dos afetados, por intermédio de investimentos em programas de saúde gratuitos para a população afetada, com o intuito de reduzir a quantidade de pessoas afetadas por essa condição. Com isso, é esperado que as palavras de um profissional de saúde não sejam questionadas por uma pesquisa no site google.