Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 01/12/2020
Zygmunt Bauman, em uma entrevista, disse: “As redes são muito úteis, oferecem serviços muito prazerosos, mas são uma armadilha.” Essa afirmação se encaixa perfeitamente em um problema sério que vem causando discussões há alguns anos: a cibercondria. Ryen White e Eric Horvitz, em um estudo publicado em uma edição da Transactions on Information Systems, definiram a cibercondria como: “O aumento infundado da preocupação sobre a sintomatologia, baseada na revisão dos resultados de pesquisa e literatura na Web.” Esse fenômeno é extremamente perigoso, e deve ser solucionado.
Primeiramente, é preciso ressaltar que não há espaço suficiente na educação básica para a educação digital. As instituições de ensino e as mídias não espalham a informação necessária para alertar e conscientizar a população sobre os perigos do autodiagnóstico e da dispersão de informações falsas pela Internet. É fato que desde que o acesso à informação ficou mais fácil com a World Wide
Web, a filtragem de fatos dentre as mentiras e “fake news” ficou mais complexa, e por causa disso, as pessoas que buscam respostas para seus problemas (neste caso, para seus sintomas) muitas vezes encontram resoluções em fontes não confiáveis e não comprovadas.
Ademais, a população brasileira possui um acesso muito limitado ao acesso de saúde pública, o que torna pouco viável a possibilidade de ir a uma consulta para buscar entender os sintomas presentes, e a população se vira para a forma mais acessível de talvez entender a possível doença: o Google. O Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade diz que 40% da população brasileira pratica o autodiagnóstico e a automedicação, e isso, segundo o Conselho Federal de Farmácia, é responsável pelo aumento do índice de intoxicação humana no Brasil.
Em síntese, é imprescindível que medidas sejam tomadas para amenizar a dispersão da cibercondria no país. Cabe ao Governo, através dos Ministérios da Educação e da Saúde, promover rodas de diálogo, oficinas e campanhas midiáticas nas escolas e nas mídias. Dessa forma, a conscientização quanto aos perigos das buscas por diagnósticos na Internet poderá ser espalhada de forma ampla e eficiente. Outrossim, o Governo Federal deve tornar o acesso à saúde mais fácil e amplo a partir da melhora da rede básica, para que buscar um diagnóstico profissional possa se tornar uma verdade possibilidade para a população.