Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 01/12/2020

Na mitologia grega Cassandra, uma sacerdotisa, tem o dom de prever o futuro, porém sofre com a maldição de ninguém acreditar em suas profecias. Juntamente a isso, no mundo contemporâneo, muitos especialistas têm alertado sobre doenças como a cibercondria. Entretanto, como ‘‘Cassandras’’ modernas, têm seus avisos ignorados. Isso ocorre em função do fácil acesso a informações duvidosas, levando a uma falsa sensação de sabedoria da população.

À priori, em séculos atrás, a hipocondria era amplamente difundida. Ela se caracteriza na infundada convicção de estar com uma doença grave, sendo apresentada na criação do “Emplasto Brás Cubas” do livro " Memórias Póstumas de Brás Cubas". Atualmente, se faz presente a partir da era digital, que além de induzir indivíduos ao consumo de grande quantidade de medicamento pela busca idealizada da própria imagem, facilita o contato a demasiados medicamentos. É fato que desde o surgimento da internet até os dias atuais, a informação teve seu caminho facilitado. Somado a isso, a forma como se pesquisa sobre a saúde mudou também, fazendo com que após consulta realizada online 79% dos brasileiros acima de 16 anos, passem a se automedicar, de acordo com o ICTQ em 2019. Visto que a veracidade do conhecimento obtido é dubitável, o mesmo pode levar a errôneas conclusões. Além disso, o engano causado pela rede, leva a população a crer, ser desnecessária consulta formal com um profissional, já que obteve as respostas online. Logo, é cada vez mais comum após receber um e-mail com o resultado de um exame feito, o paciente recorrer a internet e iniciar o tratamento por conta própria. Dessa forma, surgem movimentos que negam a ciência e eles retardam os avanços da saúde pública no país. Com isso, muitos, ao pensarem estar doentes e usarem fármacos exageradamente sem prescrição médica, como analgésicos, acabam desenvolvendo doenças reais. Como ilustração, além da obsessão pelo próprio estado de saúde, a ansiedade crônica. Esta, pode desencadear o isolamento social, como também impasses no próprio organismo de outrem.

Portanto, apesar do progresso tecnológico da internet, impasses de seu uso associado a automedicação não podem ser negligenciados. Por isso, no Brasil, se faz necessário que o governo em parceria com o Sistema Único de Saúde(SUS) proponha campanhas em hospitais. Isso, a partir de palestras com profissionais capacitados que especifiquem a importância da consulta ao médico para delimitado diagnóstico e prescrição de fármacos para uso consciente. Além disso, a mídia deve propor campanhas que conscientizem grande parte da população para cautela de automedicação e diagnósticos “online”, visando mitigar a hipocondria digital.