Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 01/12/2020

No filme “O fabuloso destino de Amélie Poulain”, a protagonista teve sua infância reprimida por seu pai, excêntrico, que afirmava que sua filha possuía alguma doença cardíaca. Na trama, tal comportamento do personagem é explicado pela hipocondria, obsessão de alguém pela ideia de possuir uma doença não tratada. De maneira análoga, o mundo hodierno apresenta um novo problema, a cibercondria, em que os pacientes passam a se autodiagnosticar por resultados na internet. Nesse cenário, surge uma problemática relacionada a precipitações que levam à diagnósticos errôneos. Assim, é válido a análise de tais problemas e seus fundamentos.

A priori, o advento da Revolução Técnico-Científica, popularização dos aparelhos eletrônicos e ferramentas de pesquisa, possibilitou uma grande disseminação de conhecimento e avanços medicinais. Entretanto, tais benefícios se mostram contestáveis quando se leva em consideração a população que busca prescrições farmacêuticas na internet. Há, nesse caso, o perigo de diagnoses inexatas que podem prejudicar mais a saúde do paciente, por identificar falsas doenças se automedicar, e, ao não obter resultados, persistir no tratamento, podendo chegar a óbito. Esse quadro se agrava no Brasil, segundo dados do Google que dizem que as pesquisas de saúde crescem, a cada ano, 17,3%, além de ser 26% da população que busca o mecanismo aos invés dos médicos primeiramente.

A posteriori, o cenário socioeconômico nacional favorece a doença da era digital. Isso porquê cerca de 70% da população do país não tem acesso a qualquer plano de saúde e depende exclusivamente do SUS (Sistema Único de Saúde), segundo dados do IBGE. Dessa forma, diante das longas esperas nas filas do SUS, segundo levantamentos do Instituto Datafolha, 44% da população espera mais de 12 meses para marcar uma cirurgia, seus dependentes preferem se arriscar com diagnósticos coletados da internet e tratamentos realizados em casa. Essa conjuntura é facilitada pelo sistema farmacêutico brasileiro, em que muitas vezes não é necessário uma prescrição para adquirir um remédio. No entanto, dependendo do medicamento, o farmacêutico que comete esse ato pode ser preso por até 15 anos.

Assim, conclui-se os problemas relacionados à cibercondria no Brasil. Dessa forma, é válido que o Governo Federal, em parceria com o Ministério da Educação, realizem palestras em escolas, das redes públicas e privadas, e divulguem por meio de medidas midiáticas, sobre os perigos da automedicação e a nova doença da era digital. Desse modo, a população infantil crescerá consciente dos riscos relacionados à saúde, ao mesmo tempo que não cometerá tais atos no futuro, e colaborará para compreensão dos seus pais a respeito do assunto. Destarte, a problemática será, enfim, resolvida.