Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 01/12/2020
No início de século XX, no Rio de Janeiro, ocorreu um processo de investimentos na saúde pública. Consoante a esse projeto de melhorias sanitárias, promoveu-se uma campanha de vacinação obrigatória da população. Contudo, essa ação não foi amplamente divulgada e, consequentemente, essa falta de informação, aliada à agressividade com que o processo ocorreu, desencadeou uma revolta contra as autoridades locais. Tal levante, que ficaria conhecido como Revolta da Vacina, impediu a continuidade da vacinação em massa naquele momento. De forma análoga, pode-se afirmar que, assim como a falta de informação prejudicou a população carioca, a sociedade moderna pode ser afetada ao negativamente ao realizar pesquisas sobre doenças em sites contendo falsas informações, ou ao interpretar incorretamente dados fornecidos. Tais comportamentos definem a cibercondria, cujas principais consequências são a automedição e o aumento da ansiedade do paciente.
Em primeira análise, é necessário ressaltar que a consulta a sintomas de diferentes patologias na internet pode provocar a automedicação do indivíduo. A facilidade de acesso a informações na internet, aliada à obtenção acessível de medicamentos sem indicação médica, facilita de forma veemente a automedicação. Segundo dados divulgados pelo “Conselho Federal de Farmácia” (CFF), cerca de 77% da população brasileira tem o hábito de se automedicar. Esse dado evidencia a visão errada que a maioria das pessoas têm a respeito das doenças, uma vez que ao se apresentarem determinados sintomas, o indivíduo tende a optar por pesquisar sobre seus sintomas na internet e, por conseguinte, ir à procura de medicamentos que os combatam. Logo, tanto a cibercondria quanto a automedicação, a qual, segundo o site “G1”, pode agravar problemas de saúde, devem ser amplamente combatidos.
Ademais, deve-se ressaltar que a preocupação em relação a sintomas e a consequente pesquisa na internet, pode intensificar a ansiedade que a pessoa sente. Segundo dados divulgados pelo site “G1”, a ansiedade provocada pela busca incessante de informações sobre sintomas, gera mais incertezas no paciente, levando-o a piorar o quadro de cibercondria, num ciclo vicioso. Logo, quando uma pessoa que apresenta cibercondria pesquisa sobre patologias na internet, sua preocupação a respeito de seu quadro tende a aumentar, uma vez que seu olhar está sempre voltado para o pior caso.
Por todas essas razões, é necessário que o Ministério da Saúde promova o combate à divulgação de informações sobre doenças que fomentem a autodiagnóstico do indivíduo. Para tanto, tal ação deve ser realizada por meio da parceria entre esse ministério e o a plataforma de pesquisa “GOOGLE”. Essa colaboração deve estabelecer um acordo cujas diretrizes determinem os tipos de informações sobre doenças que poderão estar na internet. Isso deve ocorrer a fim de reduzir casos cibercondria no Brasil.