Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 24/12/2020
Hepatite, leucemia e tumor cerebral são alguns dos diagnósticos encontrados na internet para uma gama de sintomas comuns como a fadiga, por exemplo. Nessa perspectiva, é notável que no Brasil o autodiagnóstico digital é presente e pode desenvolver a cibercondria e a automedicação na esfera civil. Portanto, fica clara a urgência de políticas educacionais e sociais para modificar o panorama atual.
Em primeira análise, vale citar que a internet possui diversas qualidades como as de acesso à informação. Porém, nem toda informação é absorvida coerentemente, pois a busca por dignósticos médicos em blogs pode induzir o internauta a encontrar doenças graves para sintomas banais. Nesse viés, percebe-se que a cibercondria é um efeito dessa prática, haja vista o ciclo vicioso da procura incessante por respostas médicas em sites que podem, inclusive, levar o civil ao erro. Análogo ao pensamento de Leandro Karnal, o médico atual da sociedade brasileira é o site Google e isso é problemático. Assim, medidas educacionais urgem no país.
Além disso, vale ressaltar que a cibercondria é benéfica para a Indústria Farmacêutica, já que para cada sintoma que o cidadão possui há uma vinculação para diversos remédios e tratamentos. Dessa forma, grande parte da população que muitas vezes não possuem doenças é influenciada à automedicação de maneira irresponsável. Exemplo disso, são dados que afirmam que cerca de 80% dos brasileiros já se automedicaram, de acordo com o site G1. Logo, é preciso políticas para reduzir esse descontrole.
Em virtude dos fatos mencionados, uma solução plausível para reduzir as mazelas da cibercondria será a criação do projeto ‘‘Google não é doutor’’ pelo Ministério da Saúde. Posto isso, com verbas federais, médicos serão subsidiados para ministrar palestras educativas sobre a importância da obtenção de diagnósticos via medicina formal. Diante disso, as aulas estarão presentes na televisão aberta aos domingos, no fito de atenuar o hábito do autodiagnóstico. Ainda, a mídia deve ratificar em propagandas que a automedicação é errada. Só assim, um novo panorama será viável.