Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 12/01/2021
“O pior mal é aquele visto como cotidiano”. A máxima da filósofa alemã Hannah Arendt aponta, de acordo com seu estudo, a indiferença da sociedade frente a certas questões. Nesse contexto, destaca-se o necessário combate à “Cibercomdria” que, hodiernamente, aflige a saúde de milhões de pessoas na era digital. Esse é um problema que está diretamente relacionado com a realidade do Brasil, seja pela negligencia estatal, seja pela indiferença social.
A princípio, é incontestável que a inoperância governamental esteja entre as causas do problema. Inegavelmente, poucas são as políticas públicas que protegem a população da automedicação baseada em informações sem procedência na internet. Nesse prisma, de acordo com o filósofo Jhon Locke, ocorre a quebra do “contrato social” já que o Estado não cumpre sua função constitucional de proporcionar o direito a saúde para a população. Decerto, isso se demonstra na pesquisa publicada pelo Conselho Regional de Medicina de Pernambuco, que diz que a procura por informações médicas na internet cresceu nos últimos anos. Essa informação demonstra que ainda são insuficientes as ações estatais para impedir que informações sem procedência cheguem na população.
Outrossim, destaca-se a cultura da ignorância perpetuada por parte da população, que, devido ao senso comum, não compreende os malefícios da automedicação. Isso está de acordo com o pensamento de A. Schopenhauer de que os limites do campo da visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo que a cerca. Tal fato pode ser observado na pesquisa publicada pelo Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ), em 2018, que diz que quase 80% dos brasileiros consomem remédios sem orientação médica. A falta de orientação coloca a população em ciclo vicioso de consumo e pode gerar um prejuízo social incalculável.
Diante desse cenário, é mister que o Senado Federal promova a proteção da população contra as informações de saúde sem procedência postadas na internet, por meio da criação de uma lei especifica que permita retirar do ar qualquer site que publique informações que possam colocar a saúde da população em risco, a fim de diminuir o número de individuos que se auto medicam, sendo isso necessário para melhorar a saúde de todos os brasileiros. Além disso, palestras devem ser realizadas para que a população entenda a importância de apenas fazer uso de remédios prescritos por profissionais de saúde, para que, gradativamente, esse problema deixe de ser indiferente conforme o pensamento de Hanna Arendt.