Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 15/02/2021
No convívio social brasileiro, a cibercondria — prática de procura imponderada de tratamentos sem comprovação e de doenças no meio virtual — é deletéria e é fomentada por ações e por paradigmas sociais falhos. Essa realidade preocupante exige uma atuação política e social no intuito de atenuar a cibercondria e orientar novas práticas.
Indubitavelmente, é função do governo promover o acesso à saúde de qualidade e eficiente — conforme o artigo 6° da Carta Magna. Entretanto, o Poder público é insatisfatório por não promover uma política de saúde norteada pelo tratamento preventivo, o que corrobora que mais indivíduos procurem na internete métodos preventivos sem comprovação científica e aconselhamentos de saúde inadequados. Prova disso é que, conforme a OMS, pela falta de prevenção o Brasil é o país com mais depressivos na América Latina. Ademais, a parca atuação governamental com informes elucidativos sobre promoção da saúde agrava a realidade de cibercondria, pois não estimula a utilização racional das informações na “web”.
Acresça-se, ainda, que com o advento da Terceira Revolução Industrial mais conteúdo passou a ser compartilhado. Diante disso, muitas escolas são ineficazes por não orientarem a utilização eficiente dessas informações disponíveis, visto que não é explorada a sinergia crucial com as famílias e com os alunos. Com efeito, a hipocondria virtual é mal combatida, já que o parco norteamento impede a filtração e o uso ponderado dos dados em prol do conhecimento sobre o bem-estar corporal.
Urge, portanto, que o Governo federal promova uma saúde pública bem planejada, mediante uma realocação de recursos para um plano que estimule o tratamento preventivo com investimento na estrutura do SUS e com informes nas redes socias, em parceria com médicos e divulgadores científicos, que abordem a utilização da internet como aliada no tratamento precoce de doenças, a fim de atenuar a cibercondria. Vale ressaltar que as familias e escolas devem promover uma consciência sobre saúde coletiva e individual, com o fito de diminuir as práticas nocivas e imponderadas.