Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 10/03/2021
O artigo 196 da Constituição Brasileira de 1988 garante saúde preventiva ao cidadão brasileiro.Contudo, no cenário atual, a manifestação da hipocondria nos meios tecnológicos vem suprimindo essa prerrogativa.Uma vez que a falta de letramento digital, assim como a dificuldade do acesso a profissionais da saúde, são um entrave à cidadania plena do brasileiro.
À primeira vista, é importante afirmar que o uso da internet sem o raciocínio crítico pode causar inúmeros problemas. À guisa de exemplo, a cibercondria, que é o autodiagnóstico por meio de informações equivocadas do meio digital, podendo acarretar complicações como ansiedade, estresse, síndrome do pânico, automedicação e até piora do quadro clínico. Nesse sentido, a educação precisa ser usada como aliada da globalização com o intuito de capacitar os indivíduos a interpretarem e lidarem com as informações que lhes são apresentadas.
Outrossim, é importante afirmar também que a inacessibilidade dos preços dos planos de saúde precisa ser combatida. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no ano de 2019 somente 28,5% dos brasileiros possuíam algum tipo de plano de saúde. Do mesmo modo, a falta de estrutura, de profissionais capacitados, de leitos e o longo período de espera do Sistema Único de Saúde (SUS), leva as pessoas a preferirem não procurar ajuda qualificada e recorrerem ao “Dr Google”, denominação utilizada para quem procura os sintomas sentidos na internet.
Logo, medidas precisam ser tomadas para combater os impactos da cibercondria para a saúde coletiva no Brasil. Cabe primeiramente, ao Ministério da Saúde o uso de propagandas na televisão, rádio, metrôs, ônibus sobre o perigo de acreditar em todas as informações da internet, assim como a importância de procurar ajuda profissional ao ter algum sintoma, por meio de “influencers digitais” mais aclamados pelo público para chamar atenção. Cabe também, às escolas a inserção de aulas sobre uso de ferramentas digitais na grade curricular com o intuito de criar jovens aptos a lidarem com as informações que estão no mundo tecnológico.