Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 26/03/2021

Na obra “O grito”, de 1893, o pintor Edvard Munch retrata o medo e o espanto por meio da intensidade das cores. Mais de 120 anos depois, esses sentimentos se fazem presentes no cotidiano mundial em relação à Hipocondria digital. Nessa perspectiva, a falta de seletividade das informações e a banalização da saúde impulsionam o surgimento dessa enfermidade moderna. Logo, rever as ações e a situação social é indispensável para garantir qualidade de vida a todos.

Acerca dessa lógica, relevantes eventos históricos, como a terceira Revolução Indusrial e a Globalização, proporcionaram inúmeros efeitos socioeconômicos, principalmente, a expansão do acesso ao conhecimento através da internet. Porém, esse progresso se tornou nocivo a uma parcela populacional caracterizada pela inocência e pela ausência de instruções, por exemplo crianças e adolescentes, uma vez que não distinguem a veracidade e o impacto das matérias. Dessa forma, evidencia-se que a vulnerabilidade e o alcance irrestrito nas redes sociais colocam a vida dos usuários em risco.

Outrossim, de acordo com a máxima do escritor chileno Pablo Neruda, os homens são livres para escolherem, mas prisioneiros das consequências. Entretanto, percebe-se na esfera nacional que a sociedade desconsidera o preconizado pelo literário sulamericano, já que 91% dos adultos brasileiros tomam medicamentos sem prescrição, segundo dados do ICTG(Instituto de Pós-Graduação aos Profissionais Farmacêuticos). Nesse contexto, as atitudes de desprezos ao bem-estar próprio, seja com automedicação ou seja com a inexistência de acompanhento médico, propiciam o aparecimento de doenças pssicossomáticas, inclusive a Cibercondria. Então, indubitavelmente, faz-se necessário atitudes que visem a reversão desse cenário no país.

Diante dos fatos supracitados, portanto, urge medidas primordiais para solucionar a eclosão e o agravamento da obsseção às doenças, em especial devido ao uso equivocado das tecnologias. Dessa maneira, faz-se essencial que instituições formadoras de opiniões, tais como escolas e faculdades, em parceria com ONG’s realizem palestras socioeducativas aos alunos -visto que atividades coletivas possuem imenso poder transformador- a fim de alertar a importância da distinção. Também, coloca-se fundamental práticas conjuntas entre o Conselho Federal de Medicina e empresas de tecnologia, bem como Google e Instagram, por intermédio de campanhas publicitárias à comunidade no intuito de esclarecer os riscos do autodiagnóstico. Assim, as reações ilustradas no quadro expressionista não caracterizarão o dia a dia dos indivíduos no tocante a essa patologia contemporânea.