Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 27/04/2021
O termo “cibercondria” é usado para denominar uma doença que provoca impulsos obsessivos associados à preservação da saúde, onde por meio de pesquisas on-line, o seu portador irá se auto diagnosticar e medicar. Infelizmente, percebe-se com o acesso precário à informação autêntica e a dificuldade de possuir serviços hospitalares de baixo custo e espera, casos de hipocondria digital tem se tornado cada vez mais comuns.
É relevante abordar, primeiramente, que na carta magna brasileira de 1988, consta que a saúde é um direito do cidadão e dever do Estado. O problema inicia-se quando ações governamentais que promovam a divulgação do conhecimento científico, para todas as camadas sociais, não são realizadas, tornando o trecho da constituição não condizente com a realidade. A consequência é o alastramento de notícias falsas que auxiliam empresas farmacêuticas a lucrarem com uma população que prejudica seu próprio corpo e mente ao não ter conhecimento sobre o acesso à saúde, prevenção de doenças e orientação para o tratamento.
Concomitantemente a isso, em 2014, o instituto Datafolha, a pedido do Conselho Federal de Medicina (CFM), mostrou em uma pesquisa que 80% das pessoas encontravam-se insatisfeitas com os serviços oferecidos pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Dentre as reclamações ouvidas, a maior parte estava relacionada ao tempo longo das filas de espera, a falta de medicamento na rede pública e a infra-estrutura debilitada que não é capaz de absorver a demanda (o que se comprovou no ano de 2020-2021, com a pandemia do coronavírus). O quadro apresentado, agravou-se ainda mais com o passar dos anos e em paralelo à baixa renda da população brasileira, faz ser mais fácil para as vítimas da doença e potenciais adeptos a desenvolvê-la, continuar procurando meios não seguros, mas acessíveis, para tratar suas enfermidades.
Torna-se evidente, portanto, que medidas devem ser tomadas para solucionar a problemática. Cabe ao Poder Executivo, em ação conjunta com a imprensa e departamentos de publicidade, que sejam criadas diretrizes capazes de filtrar o que é verídico e alavancar descobertas da comunidade médica para todos os indivíduos. É imprescindível por parte do Ministério da Saúde (MS), que investimentos sejam feitos para melhorar a estrutura do sistema de saúde brasileiro e a disposição de serviços. Dessa forma, o impasse poderá ser mitigado e parte da constituição federal poderá deixar de ser utopia.