Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 22/05/2021

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do pregado pelo autor, uma vez que a cibercondria se faz muito presente na vida dos brasileiros, o que dificulta a concretização dos planos de More. Nesse sentido, faz-se mister compreender que uma das raízes dessa problemática é a ineficiência do Governo na área da saúde, bem como, fruto disso é a automedicação feita pelos hipocondríacos.

Em uma primeira análise, deve-se ressaltar que a negligência governamental na área da saúde acentua os casos de cibercondria na populção. Por analogia, John Locke, filósofo contratualista, afirma que esse cenário é uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre com sua parte, que é de defender o homem e o bem comum. Cabe, portanto, grifar que a falta de investimento estatal nesse setor contribue para a menor disponibilidade de consultas médicas de fácil acesso para todos. Dessa forma, com a ausência de um sistema que funcione, as pessoas se veem obrigadas a usar da internet para se diagnosticarem, ou até mesmo para tratar suas doenças, gerando problemas psicológicos como a hipocondria.

Ademais, é fundamental apontar como consequência direta dessa questão a prática da automedicação. Segundo pesquisas feitas pelo CFF (Conselho Federal de Farmácia), 77% dos brasileiros se automedicam, sendo este um hábito comum. Assim fica óbvio, que a hipocondria digital tem uma influência direta na população, já que se automedicar é um de seus sintomas. Desse modo, tal ação virou uma válvula de escape, que contêm a ansiedade, na medida em que é encontrado uma “solução”  imediata, mesmo ela sendo perigosa ao causar uma melhora falsa nos sintomas.

Depreende-se, portanto, a necessidade de combater esses obstáculos. Para isso, é de suma importância que o governo, por intermédio de ajustes orçamentários, destine mais verba para o Ministério da Saúde, a fim de garantir uma melhoria nos hospitais e convênios públicos, para que toda a população fique melhor assistida. Além disso, uma resolução mais imediata seria de que a mídia, por meio de jornais, revistas e artigos na internet, promova campanhas e debates sobre os riscos da automedicação, a fim de conscientizar e alertar a população sobre esse ato. Assim, será possível a consolidação de uma sociedade melhor, ideal, de acordo com o abordado na obra literária de Thomas More.