Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 26/05/2021
Durante a Baixa Idade Média, iniciada no séc. XI, a doença infectocontagiosa peste bubônica levou à morte de cerca de metade da população da Europa devido, principalmente, ao conhecimento médico restrito. Atualmente, de forma contrária ao período, os avanços tecnológicos na área da saúde propiciam diagnósticos médicos muito precisos. Todavia, com o aumento do fluxo informacional cibernético, as pessoas tendem a deixar a precisão médica para buscar auxílio na internet, proporcionando o surgimento da cibercondria que constitui um grave problema à saúde pública no país. Assim, deve-se analisar as causas e consequências desse impasse para mitigar a problemática.
Antes de tudo, é válido destacar que a depreciação das instituições da saúde é a principal catalisadora desse entrave. Nessa lógica, destaca-se a teoria das Instituições Zumbi elaborada pelo sociólogo polonês, Zygmunt Bauman. Em síntese, o autor compara o papel das instâncias sociais ao personagem ficional zumbi, pois mesmo existindo, não exercem sua função eficientemente ,na prática. Assim sendo, com os investimentos ínfimos no Sistema Único de Saúde (SUS), além dos altos preços dos planos privados, as instituições de saúde são levadas à obsolescência. Por conseguinte, as pessoas abandonam a precisão dos diagnósticos profissionais, pela facilidade da obtenção de informações pela internet, contribuindo para o surgimento da psicopatologia.
Por outro lado, é imprescindível analisar não só a causa, mas também a consequência da cibercondria. Dessa maneira, com a obtenção de informações técnicas nos meios de pesquisa, os diagnósticos obtidos podem levar à uma interpretaão errônea do quadro clínico do indivíduo, uma vez que não possui a avaliação de um profissional capacitado. Nesse sentido, destaca-se a pesquisa realizada pelo Instituto Pós-Graduação para Profissionais do Mercado Farmacêutico (ICTQ). Segundo o órgão, apenas 21% dos brasileiros relataram não realizar a prática da automedicação. Consequentemente, uma grande parcela da população utiliza medicamentos desnecessários ou ineficazes, com base nos relatórios da internet. Portanto, a saúde do paciente é depreciada, agravando seu estado clínico.
Enfim, mediante o exposto, é mister que diligências sejam tomadas para reverter esse quadro. Logo, cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com o SUS, a criação do programa Combate à Cibercondria. Para tanto, o Tribunal de Contas da União- órgão que fiscaliza e aprova feitos públicos- deverá financiar o projeto e destinar maiores verbas para o SUS, aumentando o prestígio da instituição. Ademais, dotados do auxílio financeiro, esses órgãos deverão veicular nas redes sociais, campanhas midiáticas que informem a importância dos diagnósticos médicos e os perigos da automedicação. Destarte, com a universalização da saúde e das informações, as consequências da cibercondria seriam atenuadas.