Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 07/08/2021

Se de um lado os avanços tecnológicos promovidos no início do século XXI proporcionou uma remodelagem no padrão de relacionamento, por outro lado, a facilidade de acesso à informação na era digital, promoveu uma adesão médica ao neologismo “cibercondria”, psicopatólogia resultante da cirbercultura global , na qual pessoas leigas iniciam o tratamento de uma doença baseada em experiências fornecidas pela internet. Nessa perspectiva, torna-se importante analisar as consequências individuais e coletivas estabelicidas pelo autodiagnóstico.

Em primeiro lugar, as diversas patologias que acometem o organismo humano podem se manifestar de maneira semelhante à outras enfermidades. Diante da complexidade de um diagnóstico preciso, é perceptível a necessidade de uma conclusão científica pelo profissional da área conciliado com exames médicos e laboratórios, algo inviável de ser realizado através de pesquisas realizadas em sites de busca, uma vez que pode ter sido disponibilizado até mesmo por pessoas desconhecedoras das ciências médicas. Nessa perspectiva, de acordo com o Google Brasil 26% dos brasileiros recorrem ao autodiagnóstico, devido à disseminação de informações falsas nos meios de comunicação.

Por conseguinte, segundo o Conselho de Farmácia 76% dos brasileiro realizam a automedicação com base na enfermidade “diagnósticada” pelos dados fornecidos na internet ou por acharem se tratar apenas de um mal-estar. Diante disso, para as pesquisas realizadas pelo Minitério da Saúde as internações devido à intoxicação por medicamentos ocupados o primeiro lugar nas causas de hospitalização no Brasil. Sob essa óptica, a medicação sem prescrição médica e, com base em ditos populares possibilita o agravamento da saúde do indivíduo.

Deprende-se, portanto, que para evitar uma pandemia hipocondriaca é necessário que a Organização Mundial de Saúde em conjunto com os Estados, promova uma divulgação referente ao perigo do autodiagnóstico em seus meios de comunicação, bem como constitucionalizem crime a recomendação de remédios nas mídias sociais, a fim de minimizar a crescente crítica hipocondriaca decorrente da disseminação de desinformação. Espera-se, com isso, recuperar a credibilidade da prescrição médica e, consequentemente, combater as notícias falsas que assolam a comunidade virtual.