Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 10/08/2021

Com o advento do Meio Técnico-Científico-Informacional, o desenvolvimento da internet possibilitou o surgimento de uma fonte inesgotável de informações, a qual tornou o mundo globalizado cada vez mais fluido e prático. Entretanto, concomitantemente a essa evolução digital, a cibercondria vem prejudicando, de maneira considerável, a qualidade de vida da população, uma vez que, pela falta de ações estatais e pela busca do cuidado pessoal sem assistência médica, grande parte dos indivíduos ciberconectados adotam as informações como verdades incontestáveis.

Em primeira análise, é indiscutível que a displicência governamental é uma das causas do problema em questão. Tal fato se opõe à ideia do filósofo Thomas Hobbes, segundo a qual a função primordial do Estado é garantir os direitos fundamentais a cada cidadão, como a disponibilização de fontes que auxiliem de maneira correta a busca por cuidados de saúde, fato que evitaria a automedicação e a adoção de falsos diagnósticos. Nesse sentido, o uso indiscriminado da internet, alidado à ausência de ações vigorosas das autoridades para a filtragem e o direcionamento dos conteúdos cubernéticos ligados à saúde, tornam-se os fatores causadores do consumo de medicamentos sem prescrição médica e da negligência ou do pânico diante de fatos irreais, o que corrobora o mau uso dessa tecnologia por parcela dos cidadãos.

Outrossim, evidencia-se a baixa importância dada por grande parte das pessoas à consulta de um profissional da área da saúde quando relacionada aos possíveis sintomas apresentados. Isso se associa à série televisiva “One Million Little Things”, na qual Eddie, um dos protagonistas, vê-se viciado em remédios tomados sem a autorização de um profissional, situação que o levou a diversos problemas pessoais. Nesse viés, com o aparecimento do meio digital, atitudes semelhantes as do persongem da ficção ganham cada vez mais força, haja vista a facilidade e o discurso de autoridade o qual variados sites forjam e disponibilizam aos seus visitantes, os quais podem ter seu quadro de saúde agravado ou adquidir o vício da automedicação.

Entende-se, portanto, a necessidade de mudanças substanciais no quadro em questão. A fim de atenuar a problemática, o Governo Federal deve instaurar investimentos direcionados à maior fiscalização das informações disponíveis nas páginas da “Web”, por meio do aumento no contingente de agentes especializados na busca de falácias mascaradas nesse ambiente e da exigência de mensagens de incentivo à busca de profissionais competentes quando houver pesquisas ligadas a algum sintoma ou doença, para que a integridade física e mental da população sejam conservadas. Desse modo, a harmonia social será enrijecida.