Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 23/08/2021
A Revolução Técnico-Científico-Informacional trouxe avanços no campo da comunicação, facilitando o acesso à informação. Entretanto, as novas ferramentas de pesquisa estão sendo mal utilizadas pela população que, a fim de evitar as filas nos hospitais, se autodiagnosticam e usam medicamentos sem supervisão médica. É, portanto, necessário avaliar de que modo a falta de investimentos na saúde influencia esse fenômeno, sua consequência e possível medida para solucionar essa mezela no país.
Inicialmente, é importante ressaltar que o liberalismo do século XX influenciou a qualidade do sistema público de saúde e, por conseguinte, na busca dele pelos brasileiros. Durante o governo de Jucelino Kubitschek, o país passou por intensa industrialização em moldes liberais. Desse modo, houve popularização do sistema privado de saúde, atendendo aos interesses das empresas que se estabeleciam no Brasil. Assim, foram baixos os investimentos no serviço público, o que faz com ele carregue marcas desse período, com demora no atendimento e redução da procura.
Como consequência, em busca de resultados mais rápidos, a população faz uso da internet para pesquisar por sintomas e possíveis enfermidades. Entretanto, tal comportamento pode ser extremamente maléfico à saúde desses indivíduos, tendo em vista que os dados apresentados a eles nem sempre são confiáveis ou condizem com sua condição real, o que aumenta sua preocupação em relação ao seu estado de saúde. Assim, afetadas pelas cibercondria, elas recorrem a medicações sem acompanhamento médico, o que pode piorar, significativamente, seu quadro de saúde.
Sob essa pespectiva, cabe ao governo federal, por meio do Ministério da Saúde, criar iniciativas para atenuar os efeitos dessa problemática. Para isso, devem ser feitos investimentos no sistema de saúde, de modo que seja aperfeiçoada a velocidade de atendimento e a capacidade de demanda, além de veicular campanhas publicitárias acerca do tema, a fim de elucidar o tema a população e estimular a consulta com profissinais em primeira instância, e não apenas “se persistirem os sintomas”.