Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 10/09/2021
Cibercondria, é o termo criado a partir das palavras: ciber (referente ao ambiente virtual) e hipocondria (compulsão em tomar medicamentos), juntos esses termos definem a busca na internet por tratamentos de saúde. A partir disso, por se um local onde qualquer dado ou conteúdo pode ser inserido, o excesso de informação na rede acaba prejudicando as pessoas - elas estão se automedicando e se autodiagnosticando através de uma simples pesquisa pela web. Nesse sentido, o difícil acesso à saúde pública e a conduta imediatista de parte da sociedade moderna, agem como impulsionadores desta problemática.
Primeiramente, à medida que trabalha insuficientemente em políticas que facilitem o acesso da população à saúde pública e a médicos especialistas, o Estado, de modo irresponsável, agrava o problema da cibercondria. Destarte, com a dificuldade em realizar consultas no precário sistema hospitalar, uma parcela dos usuários do serviço recorre à web para sanar dúvidas em fontes questionáveis e, ao realizar um diagnóstico amador, coloca sua saúde em risco. Esse índice de pessoas que se automedicam representa uma grande ameaça a um dos maiores problemas de saúde pública atuais: as superbactérias. Segundo a professora e médica da Universidade de São Paulo (USP), Maria Rita, o uso irresponsável de remédios favorece o aparecimento de bactérias capazes de resistir aos medicamentos. Portanto, essas imprudências devem ser combatidas, tanto pela própria sociedade quanto pelos governantes.
Além disso, é notório o imediatismo, isto é, a necessidade de ter informações rapidamente. Desse modo, a cibercondria é potencializada pelo ritmo veloz do mundo contemporâneo, que afeta vários aspectos da vida do indivíduo, entre eles, a forma como o mesmo lida com a própria saúde. Assim, por questões de falta de tempo ou até mesmo medo do diagnóstico, o sujeito vê na internet uma saída rápida, uma espécie de consulta instantânea. Sob esse aspecto, Zygmunt Bauman diz: ‘‘A administração da vida afasta o homem da reflexão sobre o que é moral e saudável’’. Dessa maneira, constata-se que a vivência contemporânea deixa a desejar em qualidade de vida e autocuidado.
Diante do exposto, para se atenuar essa problemática é necessário que o Governo Federal, por meio do Ministério da Saúde, invista na construção de hospitais e postos de saúde e na formação de profissionais da área, de maneira que sejam geradas mais vagas e os atendimentos sejam mais rápidos. Tal medida facilitará o acesso da população aos médicos e, consequentemente, reduzirá as buscas perigosas na web. Outrossim, deve conscientizar o público sobre os riscos da automedicação, por meio de anúncios, outdoors, palestras e eventos, a fim de priorizar a saúde da sociedade.