Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 01/09/2021
Com os grandes avanços tecnológicos, após a Revolução Industrial, o trabalho humano, aos poucos, foi sendo substituído pelas máquinas. Análogo a realidade atual, a facilidade de busca e acesso a informação na internet, apesar de revolucionária, traz a tona problemáticas como a cibercondria, conhecida também como “a hipocondria da era digital”. As pessoas se consultam, medicam e diagnosticam através da internet e passam a deixar de lado o trabalho de profissionais especializados na área. Portanto, é válido analisar os fatores que contribuem para evolução desse quadro, assim como isso pode afetar os profissionais da saúde.
Em uma primeira análise, é importante destacar que a obsessão pelo estado de saúde gera ansiedade e uma busca incessante por doenças que se conectem com os sintomas. A partir disso, alguns indivíduos dão um passo adiante, fazendo o uso de medicamentos por conta própria. O sociólogo Bauman, caracteriza o momento como “Modernidade Líquida”, marcada pelo imediatismo. Na contemporaneidade isso se reflete na informação rápida e de fácil acesso, não importando a verecidade, a fonte ou a precisão da mesma.
Convém pontuar, ainda, que a internet prejudica as relações entre pacientes e profissionais, assim como o trabalho dessas pessoas. Muitas vezes o paciente procuram um especialista apenas para confirmar o que leu em sites, e passa a duvidar dos conhecimentos médicos. Tais situações, admitem uma realidade onde os recursos tecnológicos escondem pessoas reais. Assim como diria o físico, Albert Einstein “A nossa tecnologia ultrapassou a nossa humanidade”.
Depreende-se, portanto, a necessidade de combater esse impasse. Para isso, o Ministério da Saúde (MS), por intermediário de campanhas que incentivem a busca por profissionais e adverta os cidadãos para os riscos da automedicação. Além disso, devem ampliar o acesso a saúde básica em postos públicos de saúde, afim de incluir individuos que por não terem condições de procurar um especialista optam pelo chamado “Dr. Google”.