Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 30/08/2021
No documentário “Take Your Pills” é retratado a automedicação realizada por jovens e adultos sem prescrição médica e como isso pode ser prejudicial à saúde. O problema exposto no longa é ainda pior quando ligado à tecnologia, que acaba facilitando o acesso à informações que podem levar ao uso de medicamentos desnecessários e trazendo a tona o fenômeno chamado de cibercondria, isso se deve tanto pela dificuldade de conseguir atendimento eficiente em hospitais públicos quanto pela ineficácia da filtragem de informações encontradas na internet.
Em primeiro lugar, convém destacar a série “Sob Pressão” que mostra o cotidiano de um hospital público no Brasil que vive em constante superlotação e instabilidade. Infelizmente, a situação de precariedade das instituições de saúde pública é uma realidade que acaba influenciando a população na busca por soluções médicas mais acessiveis e rápidas, levando-os a fazer uso das pesquisas na internet como substituto de uma consulta médica. Como mostram os dados do site “Portal T5”, o índice de quem toma remédio apenas com prescrição médica é de apenas 9% entre pessoas de 25 a 34 anos, ou seja, os jovens adultos, uma das faixas etárias que mais acessam a internet são os mesmos que mais praticam a automedicação.
Decerto, é evidente que a utilização da internet como substituto para o atendimento médico pode gerar diversos problemas. Como pudemos notar durante a pandemia da Covid-19, em 2020, em que diversos sites e blogs na internet passaram a divulgar medicamentos que prometiam evitar a contaminação pelo vírus, porém sem nenhum embasamento científico, levando as pessoas a se automedicarem de maneira incorreta e desnecessária. Dessa forma, não há dúvidas de que a cibercondria afeta direta e agressivamente a sociedade em que vivemos.
Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Cabe ao Ministério da Saúde em união ao Ministério do Desenvolvimento Regional, melhorar a infraestrutura das instituições de saúde pública, por meio de investimento financeiro, aumentando principalmente a quantidade de funcionários, a fim de melhorar a qualidade do atendimento médico nas redes públicas de saúde e tornar confortável aos que dependem desse sistema. Além disso, cabe ao Ministério de Saúde, como responsável pela promoção de informações coerentes referentes à saúde, rebater falsas informações sobre quaisquer medicamentos que circulam o meio social e possam afetar a população, com a finalidade de inibir facilitações que permitem a cibercondria de acontecer, e deste modo, casos como os ocorridos no documentário “Take Your Pills” não se repetirão.