Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 06/09/2021

Com o advento da Quarta Revolução Industrial, o acesso ao conhecimento se tornou amplo para os que possuem tecnologia em mãos. Nesse sentido, vê-se que essa disponibilidade de informações contribuiu para a cibercondria, doença da era digital caracterizada pela obsessão dos indivíduos com o seu estado de saúde. À luz desse enfoque, é essencial ressaltar que esse contexto tem raízes na sociedade do desempenho e frutos como a automedicação.

Diante desse cenário deletério, cabe salientar, precipuamente, a origem da hipocondria digital no espectro brasileiro. Nesse viés, em conformidade com o sociólogo coreano Byung Chu Han, o sistema capitalista vigente catalisa a intensificação do foco no desempenho visando o lucro empresarial, o que gera na sociedade uma cobrança interna de alto rendimento o tempo todo. Isso tem impactos, lamentavelmente, na saúde, uma vez que a população, com o intuito de resolver o problema rapidamente e voltar a ter uma alta performance, desenvolve a cibercondria, ao invés de procurar consultar-se com um médico. À vista disso, depreende-se a chaga social que essa lógica submissa representa na sociedade, pois, enquanto o desempenho for regra, a hipocondria digital se perpetuará.

Além dessa mácula sistemática, também é preocupante a automedicação como consequência da cibercondria. De certo, mediante os dogmas do sociólogo Pierre Levy, segundo dilúvio é uma metáfora usada como modo de afirmar que não é possível conter o fluxo de informações que inunda o mundo por meio das novas tecnologias. Com efeito, é indubitável que, infelizmente, os que sofrem de hipocondria digital são inundados por diversas informações falsas ou de difícil entendimento — haja vista que termos da área da saúde precisam de conhecimentos do ensino superior para serem inteligíveis — e, por isso, cometem o ato de automedicação baseado em suposições. Essa perigosa prática pode gerar frutos como a dependência de calmantes e analgésicos, além do aumento no número de bactérias e vírus resistentes a certas medicações, levando, sem um diagnóstico médico precoce, a morte do indivíduo. Isso posto, infere-se que a cibercondria ameaça o estado de saúde da população brasileira.

Dessarte, fica claro que o sistema capitalista é a gênese desse revés. Assim, o Ministério da Saúde deve promover campanhas informacionais sobre os perigos que o auto diagnóstico traz, como a automedicação e a morte por superbactérias, por meio de mídias de ampla abrangência, como blogs em redes sociais, a exemplo do Instagram e do Facebook, a fim de fazer com que o corpo social brasileiro valorize mais seu estado de saúde ao invés de ceder para a lógica submissa capitalista focada no desempenho. Espera-se, com isso, que a tecnologia não seja mais usada para promover a hipocondria na era digital.