Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 14/09/2021

Consoante o sociólogo Zygmunt Bauman; “A administração da vida afasta o homem da reflexão sobre o que é moral e saudável’’. Nesse sentido, um fenômeno contemporâneo na era digital é a cibercondria, consequência do uso deturpado das ferramentas de pesquisa na internet, que pode ser entedido a partir de dois prismas complementares: as ideologias propagadas atualmente que corroboram os comportamentos excessivos, bem como a nova dinâmica de comunicação trazida pela era heterogêna da informação.

Em primeiro plano, é notório que o estilo de vida contemporâneo é dinâmico e multitarefas, e que a busca por maior desempenho é um dos fatores que levam as pessoas a procurarem soluções rápidas na internet. Haja vista o documentário ‘‘Take Your Pills” (Tome suas pílulas), que aborda o tema da automedicação e mostra como uma das principais causas para essa prática é uma cultura da hiper produtividade e desempenho profissional ou pessoal. Desse modo, a ideologia difundida sobre a alta performance tem sido um dos motivos que levam as pessoas a usarem deliberadamente medicamentos estimulantes e a internet funciona como um intermediário que induz e facilita o acesso.

Além disso, uma simples pesquisa no Google pode revelar os sintomas e já entregar a receita para curar a doença. Não obstante, esta prática pode ser associada a um conceito chamado “pós-verdade”, que foi eleita a palavra do ano pelo dicionário Oxford em 2016, e define o fenômeno no qual as pessoas têm buscado e se interessado mais por aquilo que ratifica sua opinião do que pela verdade concreta e analítica dos fatos. Portanto, a cibercondria tem como um dos seus principais eixos a informação inadequada e duvidosa que é acessada pela internet e entendida pelo indivíduo como uma verdade indubitável.

Destarte, o Ministério da Saúde poderia executar campanhas educativas sobre a importância do laudo médico no diagnóstico de doenças e sobre os perigos da automedicação, por meio da mídia tradicional e das redes sociais - uma vez que é imprescindível que a população esteja devidamente informada sobre o risco que é a cibercondria - a fim de que vincule-se precauções sobre essa prática que parece inócua, mas pode ser muito prejudicial à saúde. Assim, pode-se garantir que a administração da vida humana esteja mais próxima da reflexão sobre o que é verdadeiramente saudável.