Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 28/09/2021
É indubitável que as diversas inovações no campo tecnológico proporcionaram para seu usuário maior comodidade ao sanar suas dúvidas nas ferramentas de pesquisa da internet. Nesse contexto, o uso impróprio desse aparato tem provocado a psicopatologia da cibercondria. Desse modo, tal condição é configurada a partir da facilidade do autodiagnóstico na era digital e da automedicação influenciada por pessoas irresponsáveis, podendo agravar a saude física e mental do indivíduo.
Em primeira análise, vale considerar as complicações advindas do autodiagnóstico virtual, haja vista a importância de uma orientação médica individualizada, capaz de diagnosticar clínicamente, além de prescrever os medicamentos e os tratamentos corretos. Diante desse cenário, segundo dados do Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade, 40% de brasileiros fazem autodiagnóstico pela internet; dessa forma, a condição psicopatológica da cibercondria é evidenciada, o que pode contribuir para o surgimento de outras doenças mentais, como a ansiedade e a depressão. Portanto, faz-se necessário o incentivo à realização de consultas periódicas com profissionais da área da saúde, em vez de consultas genéricas por meio de algoritmos.
Em segunda análise, cabe destacar a irresponsabilidade de muitos indivíduos em propagar de maneira incoerente medicamentos, tratamentos e afins. Diante do fato supracitado, tem-se o exemplo de diversos apoiadores políticos ao incentivar o uso de medicamentos sem recomendação científica, como o uso indevido dos medicamentos Hidroxicloroquina e Ivermectina em casos de Covid-19, sendo que não há evidência científica que comprove a eficácia deles no tratamento citado. Consequentemente, por conta de tamanha ignorância, muitas pessoas sofrem efeitos colaterais severos, até mesmo a morte.
Urge, portanto, a preferência por consultas médicas em detrimento de práticas irresponsáveis. Destarte, cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com o setor midiático, criar campanhas que estimulem a ida da população às consultas médicas, bem como a realização periódica de exames de rotina, a fim de prevenir doenças ou diagnosticá-las precocemente. Ademais, para o sucesso dessa medida, é dever do Conselho Federal de Farmácia verificar quais são os medicamentos que estão sendo utilizados de maneira indevida e, após identificá-los, deve ser solicitada uma sindicância para apurar devidamente o caso. Assim, a sociedade irá ser mais prudente ao realizar buscas pela internet, tendo como única fonte segura a recomendação científica dada por profissionais de saúde.