Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 11/10/2021
A Terceira Revolução Industrial, ocorrida em meados do século XX, promoveu a criação de novos meios técnicos e informacionais, como a internet, o que contribuiu para o aperfeiçoamento dos mecanismos de pesquisa. No entanto, o uso indevido de tais aparelhos na sociedade brasileira, hodiernamente, tem desenvolvido um fenômeno denominado cibercondria, em que um indivíduo torna-se altamente preocupado com seu respectivo estado de saúde. Dentre as consequências advindas desta problemática, há a conclusão equivocada de se ter uma doença e a automedicação.
Primeiramente, a prévia e inadequada conclusão de estar doente é resultante da cibercondria. No decorrer do Estado Novo, presidido por Getúlio Vargas, os veículos midiáticos, por serem censurados, executavam formas de manipulação populacional ao evidenciarem apenas aquilo que a autoridade governamental permitia, como a propaganda em prol de uma imagem favorável do Governo. Similarmente, as informações acerca de sintomas e tratamentos médicos proferidas em plataformas online colaboram para que internautas sejam manipulados ao se convencerem de que detêm determinadas doenças. Assim como os indivíduos acorrentados na alegoria da caverna de Platão, que obtinham conhecimento por intermédio do que era exposto por sombras, parte da população, ao não se aprofundar em pesquisas na vasta rede de dados da internet, é facilmente convencida pelas exposições iniciais que as plataformas digitais apresentam e, consequentemente, admite dispor certa enfermidade.
Outrossim, a autonomia na ingestão de medicamentos é outro quadro ocasionado pela cibercondria. Apesar dos avanços tecnológicos propiciados pela Revolução Industrial, os sites, instrumentos informacionais de consulta em ambientes digitais, proporcionam uma oportunidade para um autodiagnóstico e, por conseguinte, oferecem métodos de cuidado ao indicarem remédios considerados eficientes. Conforme o Portal T5, mais de 70% dos brasileiros com idade acima de 16 anos se automedicam. Com isso, percebe-se que o uso impróprio das redes online, associado a um estado psíquico de obsessão quanto à saúde, pode oportunizar a aquisição de medicações falsas.
À vista disso, urge que medidas sejam estabelecidas contra a cibercondria. Desse modo, o Governo, em parceria a influencers digitais, deve produzir campanhas de conscientização sobre o uso correto de navegadores online, para que o autodiagnóstico e a automedicação não sejam realizados pela população. Ademais, deve incentivar a ida para hospitais e clínicas após o reconhecimento de algum sintoma. Tudo isso por meio de incentivos fiscais. Dessa forma, espera-se que os meios provenientes da Terceira Revolução Industrial sejam utilizados corretamente e, assim, a cibercondria seja mitigada.