Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 26/10/2021

Segundo a Declaração Universal dos Direitos Humanos, os indivíduos são iguais em dignidade e direitos. No entanto, tal premissa não é verificada na realidade brasileira, uma vez que a sociedade negligencia o debate sobre a cibercondria: a doença da era digital. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema, em virtude da ausência de debate e da base educacional precária.

Em primeiro plano, é preciso atentar para a falta de discussão presente na questão. Sob esse viés, Djamila Ribeiro explica que é preciso tirar uma situação da invisibilidade para que soluções sejam promovidas. Porém, há um silenciamento instaurado na manifestação psicopatológica conhecida como cibercondria, neologismo entre os termos ciber e hipercondria, visto que pouco se fala sobre o assunto, tratando o tema como algo supérfluo. Assim, urge tirar essa situação da invisibilidade para atuar sobre ela, como defende a pensadora.

Além disso, outra dificuldade enfrentada é a precária base educacional. Nesse sentido, o filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Isso justifica outra causa da problemática, se as pessoas não têm acesso à informação séria sobre as consequências negativas da automedicação e da importância do diagnóstico médico, sua visão será limitada, o que dificulta a resolução do empecilho.

Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Para que isso ocorra, o Ministério da Educação juntamente com o Ministério da Cidadania devem desenvolver palestras em escolas, a serem transmitidas nas redes sociais desses órgãos, por meio de entrevistas com pessoas que sofreram efeitos colaterais devido o uso indiscriminado de medicamentos e especialistas no assunto, com o objetivo de trazer mais lucidez sobre o tema. Ademais, nesses eventos, é preciso discutir sobre a falta de debate presente no problema. Dessa forma, será possível tornar os preceitos da Declaração Universal dos Direitos Humanos uma realidade mais próxima.