Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 28/10/2021

A Cibercondria é classificada como “ansiedade infundada em relação ao estado de saúde provocada pela visita a sites médicos”, considerada mais uma das doenças geradas pela tecnologia. Dessa forma, fica evidente como é vasta a influência que a internet possui sobre a sociedade, dado que afeta diretamente a saúde desta. Assim, para o combate à doença da era digital, se torna necessário o debate acerca do compartilhamento de noticias falsas no que concerne a saúde do indivíduo, além dos eventos de automedicação provocados pela internet.

Nesse sentido, o combate à propagação de notícias falsas relacionadas à área da saúde se torna imprescindível quando debatida a Cibercondria. Diante disso, na década de 1930, Getúlio Vargas elaborou o Plano Cohen -conhecido como maior Fake News da história brasileira- um falso artigo com premissas de que comunistas queriam desestabilizar a ordem e tomar o poder, de forma que o plano viabilizou o golpe de Getúlio. Desse modo, a sociedade não se preocupa com a veracidade das informações recebidas, uma vez que acredita no que convém a suas crenças e interesses, isso, por consequência, aumenta o poder de influência da internet quando as publicações irresponsáveis em questão são relacionadas a vitalidade individual (uma vez que estimulam a ansiedade cibercondriaca sem fundamentos médicos ou científicos).

Além disso, a automedicação é uma das problemáticas que cercam o tópico da Cibercondria, uma vez que é fruto da ansiedade gerada pelo transtorno. Por este viés, a série da Netflix “Gray´s Anatomy” retrata em sua tragetória como a automedicação pode contribuir para a piora do quadro de saúde do sujeito, ao invés da melhora, uma vez que não possui conhecimento ou formação para se autodiagnosticar. Assim, esse distúrbio não apenas se manifesta como uma nova doença, mas também provoca a piora de possíveis condições já existentes no indivíduo, visto que leva ao tratamento incorreto dessas (de forma que demonstra como distúrbios psicológicos, muitas vezes menosprezados, podem causar danos a integridade física das pessoas e ao sistema de saúde do país).

Portanto, com vistas a combater a Cibercondria e, assim, promover a plena saúde pública, o Ministério da Saúde, como responsável pela profilaxia da população, deve desconstruir as notícias falsas acerca de doenças propagadas na internet, por meio de campanhas nas mídias sociais e televisivas (capazes de alcançar substencial parcela dos brasileiros). Para que, dessa forma, o distúrbio em questão seja combatido -o que dificulta, então, episódios de automedicação provocados pela internet. Assim, publicações médicas infundadas (que muito se assemelham ao Plano Cohen em veracidade)e, consequentemente a Cibercondria serão cada vez menos decorrentes no Brasil.