Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 04/11/2021
A condição de hipocondríaco remete a uma pessoa que acaba se automedicando para tratar uma doença, a qual possua ou não. O advento da rede mundial de computadores, nesse seguimento, aumentou a disponibilidade de informações, mas também a autoconfiança dos indivíduos de prescreverem para si drogas desnecessárias. Com isso, surge a “cibercondria”, a mesma hipocondria, contudo, agravada por desinformação da internet e, por conseguinte, gera a evolução de infecções.
Nesse contexto, a desinformação é uma das causas da popularização da cibercondria. Nesse caso, a internet, casa das redes sociais, é o habitat perfeito para pessoas serem enganadas pelas notícias falsas, principalmente, em relação aos novos tratamentos com intuito de prolongar a expectativa de vida. A exemplo disso, há o aumento da procura por medicamentos como ivermectina e hidroxicloroquina no segundo bimestre de 2020, pois acreditava-se que essas drogas poderiam evitar o contágio de Covid-19, porém as empresas nunca afirmaram essa eficiência. Dessa forma, o uso de medicamentos sem conselhamento médico pode contribuir para resistência dos agentes etmológicos.
Seguindo esse viés, a falta de acompanhamento clínico, comum às vítimas de hipocondria e, por sua vez, cibercondria, alerta para o desenvolvimento dos agentes etmológicos. A resistência evoluída dos micro-organismos responsáveis pelas doenças é embasada, sobretudo, na Teoria da Evolução, de Charles Darwin, a qual explica que sobreviverá a espécie mais adaptada ao meio. Ou seja, mudanças constantes do ambiente pode forçar o invasor a evoluir e, portanto, criar, por exemplo, as “super-bactérias” já representadas por dramas médicos, como a série “The Good Doctor”. Logo, essas versões são um risco tanto para paciente quanto para a população com a chance de uma epidemia.
Depreende-se, portanto, o risco da cibercondria não só para o paciente a quem ela acomete, como também para a humanidade em geral. Por isso, compete ao Ministério da Saúde desestimular a desinformação por meio de incentivos às consultas médicas de rotina, a fim de previnir possíveis epidemias e mitigar as ocorrências de “super-bactérias”. Ademais, as mídias digitais, em especial as donas de redes sociais, não deveriam permitir matérias médicas sem embasamento teórico utilizando de sincronização das revistas e artigos científicos para identificar e deletar dados não verificados, com o propósito de diminuir a circulação de notícias falsas pela rede e assegurar os cidadãos com informações seguras e tratamentos necessários. Enfim, de acordo com Darwin, as espécies mais adaptadas sobreviem e, nesse quesito, o ser humano pode dominar a natureza, mas não se pode permitir um avanço como a internet ser o motivo da involução do homo sapiens.