Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 05/11/2021

A 3ª Revolução Industrial, ocorrida no século XX, caracterizou-se pelo avanço tecnológico dos meios de comunicação. Não obstante deste cenário, a Cibercondria, patologia que leva o indivíduo ao autodiagnóstico de sua saúde pela ajuda da internet, está relacionada não só à facilidade de acesso à informações, muitas vezes de caráter duvidoso, ligadas ao meio da saúde, como também pelo amplo e irrestrito acesso à medicamentos por parte da população brasileira.

Nessa perspectiva, é imperativo destacar os resultados da acentuada divulgação de materiais infundados possibilitada pelos setores comunicativos atuais. Como exemplo, vale ressaltar o ideal ético do filósofo prussiano Immanuel Kant, que defendia a ética como uma prática universal. Dessa feita, analogamente às ideias do pensador europeu, a propagação de informações sem quaisquer bases teóricas ou científicas possibilita a manipulação dos usúarios e, consequentemente, o rompimento com padrões morais e eticamente corretos. Nesse viés, evidencia-se o surgimento de enfermidades mentais, tais como a Cibercondria, motivados, principalmente, pelo vínculo entre comportamentos imorais e a fácil dispersão de conteúdos informativos nos meios de comunicação vigentes.

Outrossim, é oportuno comentar sobre as consequências ligadas ao acentuado acesso de medicamentos no Brasil. Exemplificando, cabe citar o processo da descoberta dos antibióticos e seus impactos no comércio de fármacos nacionalmente. Após a criação, no início do século XX, da Penicilina, primeiro remédio feito para matar bactérias, a ampla comercialização dessas drogas farmacêuticas se tornou comum, devido aos seus efeitos benéficos. Dessa forma, a banalização no uso de medicamentos difundiu-se no Brasil, o que, atualmente, viabiliza o surgimento dessas novas doenças comportamentais, pois possibilita o crescente acesso por parte da população a essas substâncias. Mostra-se, assim, o complexo processo de desenvolvimento de novas comorbidades, como a Cibercondria,  no cotidiano do povo brasileiro.

Depreende-se, portanto, em vista dos fatos supracitados, a necessidade da atuação do Estado para amenizar esta problemática. Logo, urge que o governo, por meio da criação de um programa cibernético que possa ajudar no controle de divulgação de informações duvidosas, mantenha apenas conteúdos verídicos, em específico aqueles ligados à saúde, no meio digital, a fim de diminuir a manipulação dos usuários e, consequentemente, o surgimento de doenças ligadas ao hipocondrismo nos meios virtuais. Ademais, cabe ao Ministério da Saúde, por intermédio da utilização de redes socias, elaborar um projeto que tenha o objetivo de diminuir o uso de medicamentos por parte da população brasileira, com o intuito de que invenções possibilitadas pela 3ª Revolução Industrial sejam usadas de forma benéfica.