Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 08/11/2021
A série americana “Grays Anatomy” mostra em um de seus episódios a história de uma paciente hipocondríaca, que acredita estar muito doente após pesquisar sintomas na web. Consoante a realidade da personagem está a de diversas pessoas que sofrem com a Cibercondria, uma doença que surgiu da mistura entre a hipocondria e a era digital. Isso se deve à crença descontrolada na internet que leva o indivíduo a praticar a automedicação, a qual representa um risco para a saúde. Logo, para que o exposto no “TV-show” americano se torne apenas ficção, urge a resolução dessa celeuma.
Diante desse cenário, vale ressaltar a existência de uma crença descontrolada na internet. Dessa forma, as pessoas tendem a acreditar mais nas informações publicadas na web do que nos médicos, visto que esses conteúdos são disponibilizados por diversas fontes em simultâneo, e passam uma noção de confiabilidade. Nesse viés, os sites de busca como o Google admitem utilizar algoritmos padronizados que entregam dados semelhantes conforme a pesquisa dos usuários, os quais são bombardeados com o mesmo material repetidas vezes. Dessa forma, para cessar a fé cega nos ciberespaços, é imperiosa a resolução dessa chaga social.
Consequentemente a existência de uma crença descontrolada na internet está a prática da automedicação. Ainda que algumas pessoas com cibercondria busquem ajuda em centros hospitalares, a maioria delas opta por se automedicar, o que pode ocasionar graves consequências para sua saúde decorrentes de um tratamento inadequado ou ineficaz. Nesse sentido, segundo uma pesquisa realizada pela UFMG indivíduos hipocondríacos geralmente ficam insatisfeitos com os diagnósticos médicos e passam a realizar autodiagnósticos e a consumir medicamentos por conta própria. Destarte, para que esse hábito nocivo se extingua, esse problema deve ser solucionado.
Portanto, são necessárias medidas operantes para combater a cibercondria na era digital. Para isso, cabe aos sites de pesquisa como o Google fornecer informações restritas e confiáveis sobre doenças, através de mudanças no algoritmo como a verificação de veracidade e a exclusão de conteúdo nocivo, a fim de impedir o autodiagnóstico de usuários da rede. Ademais, cabe às páginas de internet se mobilizarem contra a automedicação, por meio de mensagens explícitas sobre os riscos dessa prática para a saúde das pessoas, de modo a incentivar a busca por médicos especializados. Feito isso, espera-se que histórias como a mostrada em “Grays Anatomy” não mais representem a realidade.