Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 05/11/2021
Em um episódio da série “Black Mirror”, um dos temas explorados é o excesso de informações na internet e os riscos causados na saúde dos internautas. Fora da ficção, a narrativa apresentada pode ser relacionada ao atual cenário, visto que com o avanço tecnológico, a cibercondria tornou-se um entrave no corpo social. Essa questão ocorre, principalmente, devido à falta de conscientização e à negligência governamental.
Primordialmente, a falta de conscientização está entre as raízes do impasse. Nesse viés, segundo o educador Paulo Freire, o maior objetivo das escolas deve ser conscientizar os alunos. Entretanto, ao observar o modo de ensino conteudista dos colégios, no qual as questões externas são evitadas, nota-se que esses locais não contribuem para o ensino dos jovens a respeito dos perigos da automedicação e de ignorar os conselhos médicos. Por conseguinte, sem a discussão de como preservar a saúde nas escolas, doenças que deveriam ser cuidadas com acompanhamento médico são ignoradas ou tratadas com informações erradas da internet.
Outrossim, a negligência governamental contribui para a problemática. Nesse sentido, a Constituição de 1988 assegura que é dever do Estado promover a saúde para todos os cidadãos. Contudo, a carência de fiscalização durante a venda de remédios e o descaso com os hospitais periféricos são fatores que impedem que a cidadania seja gozada por todos. Dessa forma, sem o cumprimento legislativo, a população encontra nas redes sociais uma forma rápida e prática de aliviar seus sintomas, fazendo com que o cenário visto em “Black Mirror” se torne frequente.
Portanto, ações são essenciais para reverter o quadro atual. Sendo assim, urge que o Ministério da Saúde relate a necessidade de uma maior atuação estatal contra a cibercondria, por meio de projeto de lei a ser entregue à Câmara dos Deputados. Nele deve constar a importância de informar a população sobre a relevância do médico para tratar uma doença e de fiscalizar a venda de remédios, por exemplo. Desse modo, espera-se que o panorama visto em “Black Mirror” fique apenas na ficção.